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Diogo Amorim | Senzu

By | CRU Spotlight

O Diogo é ‘o’ nerd do café. E o café é, por si só, um mundo.

Com 32 anos, Diogo Amorim soma uma licenciatura em Gestão da Universidade Católica do Porto, um Mestrado em Relações Internacionais do Minho e ainda um Mestrado em Economia e Ciência do Café Universidade Trieste.

Hoje em dia, dá formação de torra no Mestrado de Café e também na Joper (fabricantes de torradores) e é consultor nesta área para várias empresas.

É o fundador da Luso e da Senzu Coffee Roasters e também o co-fundador de uma escola de café, a única do Porto – abcoffee – onde é formador nos cursos de certificação SCA de torra, análise sensorial e café verde. 

O Diogo foi-nos apresentado pelo nosso amigo em comum, Miguel Barbot, no âmbito de uma relação fornecedor-cliente. No entanto, tornou-se amigo e cúmplice de uma parceria muito mais significativa do que apenas revender o melhor café de especialidade. Mas isso desvendaremos em breve 🙂

O que é que te levou a criar a Senzu?

Desde pequeno que vivo no mundo do café. O meu pai é distribuidor de café para restaurantes e cafés há mais de 40 anos, e em pequeno nas férias de verão durante umas semanas ia ajudar. A paixão e interesse por café só surgiu mais tarde. Após 6 meses de estágio em Moçambique, o qual integrei o programa InovContacto após o Mestrado em RI, decidi que queria começar no negócio de família mas apostar primeiro no conhecimento e formação na área de café.

Verifiquei que havia um Mestrado em Café, ao qual me candidatei e fui aceite. Nesse Mestrado, em 2015, entrei em contacto com jovens dos mais variados países produtores de café, foi uma experiência única. Durante uma viagem a Viena, Budapeste e Bratislava com alguns desses amigos e colegas de mestrado, fiquei a conhecer o conceito Specialty Coffee. Ao regressar a Portugal, decidi que queria criar uma torrefação de café de especialidade pois ainda não havia. Durante o processo de criação surgiram 2 torrefações (1 no Porto, outra em Lisboa). Assim nasceu a Luso Coffee Roasters. Mais tarde em 2019 mudei a localização da Luso para o Porto numa parceria com a extinta coffee shop Bird of Passage e decidi criar outra marca, a Senzu Coffee Roasters. A Luso ficaria para cafés de especialidade com sabores e blends características do consumidor português, e a Senzu teria cafés de origem única com sabores e qualidade única.

Que livros mais te influenciaram na tua vida profissional?

Ernesto Illy fundador da illy caffé, uma empresa que aposta imenso em inovação e conhecimento da indústria do café.

Livro Espresso Coffee

Uncommon Grounds de Mark Pendergrast

World Atlas of Coffee de James Hoffmann

The Craft and Science of Coffee de Britta Folmer

Que formas encontras de activar a Senzu e de fazer chegar o teu café às chávenas dos teus clientes?

Como não sou muito bom em marketing e o capital disponível é muito limitado, a Senzu cresce basicamente pelo passa a palavra e pela confiança de cada cliente. Por norma os clientes gostam da Senzu e da forma de contacto que tem comigo, digo comigo porque muitos sabem que a Senzu é o Diogo, e isso é o que os faz voltar.

Como descreverias a tua equipa de sonho?

A Senzu é muito pequena para ter equipa, tudo funciona apenas com uma pessoa. E será sempre assim, o objetivo não é crescer constantemente. Obviamente que ainda há espaço para crescer e ser mais sustentável, mas até um certo ponto. A minha equipa são os meus clientes tanto B2B como os B2C, e os meus colegas de profissão. Pois no café de especialidade existe uma pequena comunidade de profissionais da área em que nos relacionamos muito bem (grande parte).

Quais são as tuas principais aspirações enquanto coffee roaster?

Ser torrador é uma constante aprendizagem. É continuar a praticar, a ter formação na área, partilhar experiências com outros torradores, ir a eventos. Absorver o máximo de informação pois é uma evolução contínua.

Como vês o crescimento e a escala da Senzu nos próximos anos?

Respondo um pouco anteriormente, não pretendo crescer. A nível de projetos cada vez mais acredito em projetos em conjunto com outros negócios. Sempre pretendi ter a Senzu num espaço aberto ao público para haver a possibilidade de provar o café no local controlado pelos standards da Senzu e onde se torra. Essa oportunidade surgiu com a CRU Creative Hub, um local onde junta vários experts em diferentes áreas e com loja aberta ao público, onde agora podem usufruir de um café de filtro da Senzu bem como levar café para casa.

Quem é o Diogo quando não está a torrar (ou a beber) café?

Basicamente o covid veio estragar os poucos hobbies que tenho. Desporto em conjunto, viajar e ir a restaurantes/cafés. Gosto muito de fazer o meu desporto em grupo, algo que há mais de um ano não o faço de forma regular. Grande parte do pouco dinheiro que tenho para mim após despesas pagas são para estes dois prazeres que me fazem crescer muito enquanto pessoa e também profissionalmente: viajar pelo mundo (tenho o sonho de visitar todos os países do mundo) sempre me incutiram a cultura de “quem quiser saber, é passear ou ler” eu faço os dois mas mais o primeiro; visitar restaurantes/cafés é uma experiência social, cultural e sensorial de que podemos retirar muito dela, crescer e absorver toda a informação que nos é dada, ao mesmo tempo que comemos ou bebemos.

Uma vida na escola ou a escola da vida?

São os dois. A nossa vida é uma escola, porque como disse estamos sempre em aprendizagem mesmo que não queiramos.

Covid 19, 20, 21… que dores ou triunfos foste somando ao longo deste período?

Não alterou a forma de trabalho, apenas aprofundou as relações com quem trabalho. Pois todos nos vimos numa situação extremamente complicada (que ainda estamos) e que tivemos de ter uma atitude de compreensão e mútua ajuda entre nós.

Que dicas ou conselhos deixarias para alguém que está a começar a preparar o seu drip coffee em casa?

Pesquisar informação na net, ver vídeos e blogs, e talvez fazer alguns pequenos workshops, de preferência na abcoffee

CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Cortesia Diogo Amorim

Ana Seixas

By | CRU Spotlight

Orgulhosamente criativa e independente, Ana Seixas é toda cor, luz, plantas, gatos, quadrados e bolas, pastas e tintas. ‘Daquelas que gosta de meter a mão na massa’, no atelier, separa o limpo do sujo e divide o seu tempo entre trabalho comissionado e projectos pessoais, a ilustradora e artista plástica é amiga e cúmplice da CRU, desde Junho de 2014, data em que chegou ao cowork.

Nasceu em Viseu, em 1984. Licenciou-se em Design pela Universidade de Aveiro e fez uma pós-graduação em Design Editorial na Bau, em Barcelona, cidade onde, mais tarde, concluiu o curso de ilustração infantil e juvenil na Eina. Actualmente, vive e trabalha no Porto.

Após ter trabalhado como Designer durante 5 anos para diferentes empresas de publicidade e revistas, decidiu dedicar-se inteiramente à ilustração, na qual recorrentemente se debruça sobre a interpretação do dia-a-dia, as relações com os animais e a natureza, paisagens reais e imaginárias.

A serigrafia também faz parte do seu percurso, tendo sido a responsável pela implementação de um estúdio de serigrafia na CRU de 2015 a 2020 — a Lola PrintScreen. 

Mais recentemente, a cerâmica tornou-se a menina dos seus olhos, a qual exibe, graciosamente, na sua loja/atelier  — na Rua de Oliveira Monteiro 483, no Porto — e na sua loja online, bem como em outros pontos de venda, como a CRU.

Sabemos que tens a  tua marca própria e que também és freelancer em ilustração. Conta-nos como foi que chegaste a esta forma independente de trabalhar.

Soube que queria ser freelancer desde a primeira semana em que comecei a trabalhar numa agência de comunicação, em Viseu. Isso de passar 8 horas do meu dia à espera de chegar a casa e ter tempo para dedicar às minhas coisas não era para mim. Tinha de ser o meu projecto a tempo inteiro, precisava de espaço e tempo para criar.

Fui saltando de part-time em part-time (em design ou noutra coisa qualquer) sempre tentando conciliar a estabilidade com a ansiedade de criar o meu projecto, ainda indefinido naquela altura.

Até que me cruzei com a ilustração e decidi especializar-me nessa área.

Comecei a procurar clientes e, entre os projectos de ilustração que foram surgindo e os desenhos que fazia para colocar à venda online, pouco a pouco o meu projecto foi tomando forma até chegar ao que é hoje.

Actualmente, o meu trabalho tem essas duas vertentes bem mais definidas: os projectos de ilustração para clientes —  trabalho sobre um briefing definido por eles, desenvolvendo ilustrações que serão depois usadas em suportes gráficos variados (livros, cartazes, folhetos, campanhas…) —  e as minhas lojas online e física, para as quais, crio vários tipos de produtos, ilustrações para decorar, peças de cerâmica, artigos têxteis, pins, postais, actividades para crianças, etc.

O que fazes para ‘desconectar’?

Às vezes esqueço-me do importante que é parar, mesmo quando o trabalho me dá prazer. Por isso tenho que me organizar mentalmente e obrigar-me a desligar do trabalho, sem sentimento de culpa. Tento encontrar outra actividade que me motive igualmente e que implique algum processo de aprendizagem: fazer yoga, nadar, caminhar, dançar ou patinar.

Casa, escritório, coworking, oficina?… Onde passas as tuas horas de criatividade e produtividade?

Um bocadinho de tudo! Gosto de estar em casa ou na mesa do café a pensar, ler e esboçar, planear, organizar o calendário e a fazer gestões de papeladas, a um ritmo mais pausado. 

Quando estou no atelier, é para desenvolver e criar o trabalho propriamente dito. Tenho uma zona onde posso desenhar ao computador ou no iPad e outra zona “suja” de oficina, onde faço as minhas peças de cerâmica e preparo encomendas.

Vou alternando consoante o que tenho que fazer e também como me sinto. Se o corpo me pedir para ficar em casa, tenho essa possibilidade e facilidade de me adaptar. É daquilo que mais gosto no trabalho por conta própria, danço ao meu ritmo.

Quem são as tuas referências na área da ilustração? Que super-poderes têm el@s?

Lisa Congdon and Louise Lockart são, talvez, as referências que tenho mais à mão. Ambas trabalham como freelancers e o seu trabalho de ilustração sai do papel e viaja para uma variedade infinita de suportes. E as cores, sempre as cores. 

Por outro lado, os criativos que me rodeiam acabam por me inspirar, inevitavelmente. Terão sempre maneiras diferentes de pensar e de enfrentar os projectos: essa ideia de que há uma infinidade de soluções para o mesmo problema e que todos podemos aprender uns com os outros interessa-me muito.

Que formas encontras de activar a tua marca e de fazer chegar o teu trabalho aos olhos (e às casas/prateleiras) dos teus clientes?

Nem sei bem, acho que este é o meu grande desafio, comunicar com os clientes.

Sempre dediquei muito tempo a criar o meu site, enviar emails aos clientes com quem queria trabalhar, mas quando as redes sociais tomaram conta disto tudo foi aí que depositei a minha energia, sem saber muito bem como. 

Acabo por dedicar muito tempo ao Instagram e, ultimamente, uso as Newsletters para comunicar com os clientes da loja.

Como é para ti ser uma criativa independente, actualmente?

Criativa independente é uma definição que me empodera, obrigada! Ao princípio sentia que o freelancer, especialmente designer, era o que não conseguia trabalho numa agência, então, não tinha outra opção senão trabalhar por conta própria. Não sei se era a minha impostora a sussurrar-me ao ouvido ou se essa ideia existia realmente. 

No entanto, quando cheguei ao Porto e à CRU, essa ideia foi-se esbatendo e senti que, dentro desta comunidade de freelancers, entendemos-nos e ajudamo-nos uns aos outros a crescer. Para mim, ser criativa independente não é estar fechada numa sala, isolada do mundo a fazer o meu trabalho, mas exactamente o contrário. É poder partilhar com outros criativos, criar em conjunto, saltar as fronteiras da ilustração e do design e experimentar outras possibilidades. 

Por outro lado, senti, e ainda sinto, muitos entraves a nível fiscal, legal, social, sei lá… parece que deixaram a gaveta da desordem burocrática para os freelancers.

A que tribos pertences?

Sou da tribo que faz, os Makers, assim nos chamam. Daqueles que gostam de meter a mão na massa, mergulhar em materiais e ferramentas. 

Sou acumuladora de coisas que um dia me poderão servir e tenho o superpoder de ter 10 tesouras e não saber onde está nenhuma.

O que te faria mais feliz ou realizada profissionalmente?

Sou muito feliz e realizada profissionalmente! Gosto do que faço e posso viver do meu trabalho, não há nada melhor que isto. 

Talvez fosse mais feliz se aprendesse a lidar de forma mais saudável com as inseguranças e medos que por vezes me travam, mas isso já é outro processo.

Que outra profissão terias se não fosses ilustradora?

Olha, nunca pensei nisso! Jardineira, talvez. Não me importava de fazer pet sitting ou algo parecido.

Pastora? Teria que ser alguma profissão relacionada com cuidar de animais e/ou plantas.

Covid 19, 20, 21… que dores ou triunfos foste somando ao longo deste período?

Fechou tudo na semana em que ia inaugurar a loja física, foi uma bofetada fortíssima. Tive que lidar com esta desilusão e adaptar-me. A loja online funcionou bem e permitiu-me manter o projecto vivo.

Este tempo permitiu-me também embarcar num novo desafio e juntei-me ao Patreon, onde partilho o meu processo de trabalho e crio conteúdo apenas para quem me segue nessa plataforma. É uma maneira diferente de criar, mais livre e sem algoritmos viciados.

Por outro lado, os projectos de ilustração para clientes diminuíram e, à força, aprendi a trabalhar a outro ritmo, menos intenso e mais ponderado, o que até acabou por ser bom!

CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Cortesia Ana Seixas

Sérgio Gameiro | wetheknot

By | CRU Spotlight

Sérgio Gameiro é um dos fundadores da wetheknot. É formado em design e marketing de moda pela Universidade do Minho, enquanto que Sérgio Cardigos Oliveira, co-fundador, é designer de comunicação, tendo frequentado as Faculdades de Belas Artes de Lisboa e do Porto.

Em 2013, conhecemos o Sérgio e o Filipe por intermédio da Fernanda Pereira — designer de moda presente na CRU —, com quem partilhavam loja e estúdio no Bairro Alto. Influenciados pela Fernanda, recebemos a proposta desta marca praticamente desconhecida, a wetheknot, que produzia, então, calções de banho inéditos, feitos de tecidos de guarda-chuvas recuperados das ruas de Lisboa. Impressionados com estes e outros produtos desta dupla de designers, abrimos as portas da loja da CRU à WTK, o seu primeiro ponto de venda no Porto e onde ainda é possível encontrar o seu vestuário e acessórios vários.

A WTK é, de facto, uma das marcas mais acarinhadas por nós e os seus fundadores Sérgio e Filipe são dos fornecedores mais fiáveis e profissionais com quem já trabalhámos.

A wetheknot traçou um percurso de amadurecimento ao longo dos anos, de forma consistente e assumidamente como uma marca de slow fashion, baseada no consumo ético, que produz uma série de coleções de roupa e acessórios de edição limitada, sustentáveis e eco-friendly. 

Nas diversas visitas que já lhes fizemos, tanto na loja da Rua da Rosa, como no escritório do Centro de Inovação da Mouraria — do qual também somos fãs! —, fomos sempre recebidos com carinho e amabilidade.

Podem encontrar as peças wetheknot na sua loja online ou, claro, na loja da CRU.

O que é que te levou a criar a Wetheknot?

A wetheknot surge de uma insatisfação pessoal com o fast-fashion e pela curiosidade em explorar práticas de design mais alinhadas à sustentabilidade. Algo que até começar com o projeto da wetheknot ainda não tinha tido oportunidade de fazer, mesmo já estando a trabalhar na indústria têxtil portuguesa.

A wetheknot nasceu em 2010 quando conheci o Filipe no Porto, que me desafiou a embarcarmos no nosso primeiro projeto: trabalhar com tecidos de guarda-chuvas estragados que ele tinha encontrado abandonados na rua.

A partir daqui, lançámos a nossa primeira coleção de calções de banho produzida com o tecidos destes guarda-chuvas, ao mesmo tempo que ainda ia fazendo uns trabalhos em freelance. E em 2015, decidimos dedicar-nos totalmente a criar esta marca sustentável de acessórios e de roupa, e daí se desenrolou o nosso sonho com a wetheknot.

Trabalho e conhaque…como doseias o teu cocktail?

Por vezes torna-se difícil encontrar a dose certa de ingredientes para este cocktail, mas aqui vão algumas dicas para aprimorar a receita:

O Primeiro passo: é ter uma rotina de trabalho, e juntar a este mix um horário e fazê-lo cumprir.

Segundo passo: mexer bem, e depois adicionar à mistura o total usufruto dos fins-de-semana e, claro, fazer férias.

Terceiro e último passo: deitar a mistura para um copo, espremer umas gotinhas de limão, sem esquecer de não falar de trabalho depois das 20h e de só abrir o e-mail durante o horário de trabalho.

Casa, escritório, coworking, oficina?… Onde passas as tuas horas de criatividade e produtividade?

Começámos por alugar um escritório para trabalhar, mas há 4 anos mudámos-nos para um cowork de indústrias criativas, no Centro de Inovação da Mouraria. Foi uma mudança muito positiva a todos os níveis: estar em contacto com outras pessoas permite-nos ter mais espaço para partilha, crítica e diálogo. Partilhar o nosso espaço de trabalho leva-nos a criar novas sinergias, parcerias e inspirações. Para além de ser mais dinâmico, ajudou-nos muito a crescer profissionalmente, e também a nível pessoal.

Grande parte das minhas horas de criatividade e produtividade são passadas entre a nossa loja no Bairro Alto e o nosso atelier no Centro de Inovação da Mouraria.

Quais as tuas marcas de casual wear preferidas? O que têm de especial?

Há marcas incríveis pelo mundo e eleger apenas algumas seria muito difícil. Para mim é me mais fácil identificar aquilo que me inspira no mundo da moda. Neste caso, gosto muito da simplicidade e do design japonês. Aliás, sou fascinado pela cultura japonesa, nomeadamente a forma simples e certeira como trabalham os materiais. Para além disso, sou também muito fã do design escandinavo, especialmente pelo seu design simples, funcional e minimalista que dá primazia às linhas retas.

Os produtos da WTK são produzidos à imagem do Sérgio e do Filipe, ou a pensar nos seus clientes?

Os produtos são criados por nós, Sérgio e Filipe, à imagem do nosso cliente. O facto de termos uma loja permite-nos ter um contacto direto e imediato com os nossos clientes. Conseguimos receber o seu feedback de forma instantânea, o que é algo que valorizamos e que nos ajuda muito. Comunicamos também e cada vez mais pelo Instagram, que acaba por ser um canal que nos traz uma certa proximidade do nosso público. E também usamos o e-mail para responder a algumas dúvidas.

Como descreverias a tua equipa de sonho?

Pessoas que partilham os mesmos valores e ideais da wetheknot, como a sustentabilidade e o minimalismo. Estou muito contente com a minha equipa. Não somos uma equipa muito grande, mas somos unidos e o facto de sermos uma equipa pequena permite-nos estar todos envolvidos em diferentes áreas, o que traz um certo dinamismo ao nosso trabalho. Esforçamos-nos para dar liberdade a cada um de criar o seu espaço na wetheknot.

Como vês o crescimento e a escala da WTK nos próximos anos?

O nosso objetivo principal é continuar o trabalho que temos desenvolvido, nomeadamente a forma como temos vindo a produzir. Desde do início da pandemia que aspiramos a introduzir uma produção mais sustentável, a qual acabámos por chamar: made-to-order. Desta maneira, não temos stock e conseguimos controlar melhor o nosso desperdício, produzindo à medida que são feitas as encomendas. O meio ideal para este tipo de produção é online, mas no futuro gostaríamos de o expandir para o offline, possivelmente até as pessoas se habituarem a esta nova forma de produção e consumo.

Que app/software faz te ti um super-humano?

A nível de organização: uso o Google Drive para criar e partilhar vários documentos, e o Asana para delinear tarefas.

A nível de design: uso o Adobe Illustrator e o Photoshop, que são bastante intuitivos e incluem todas as ferramentas que preciso para o meu processo criativo.

Para inspiração: recorro ao Pinterest e Instagram pela atualização diária e quantidade de conteúdo existente.

Que outra profissão terias se não fosses designer?

Se não fosse designer, talvez gostasse de ser cozinheiro, porque gosto de cozinhar e de comer, ou talvez jardineiro, porque estou cada vez mais fascinado com o mundo vegetal. Aliás, estou  atualmente envolvido num projeto de implementação de uma horta no nosso espaço de coworking, com o objetivo de fazer crescer a nossa própria comida. 🙂

Que armas usaste, a nível profissional ou pessoal, contra as maleitas da pandemia?

No meu kit de sobrevivência à pandemia foi indispensável incluir: a prática de exercício físico, vestir-me como se fosse para o trabalho, uma caminhada matinal ou ao fim do dia e, claro, um copo de vinho.

CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Cortesia wetheknot

Virginia França

By | CRU Spotlight

Virgínia França é reconhecida no meio como a melhor vendedora de marcas independentes, tendo elevado a loja da CRU ao nível de um dos melhores pontos de venda de peças autorais do país.

Isto não é um exagero!

Tagarela, sorridente, terra-a-terra, no trato pessoal. Honesta, atenta, dedicada, a nível profissional. Com uma veia comercial evidente, e aguçada por uma personalidade extrovertida, a Vi (como carinhosamente a chamamos) aplica técnica, sistematização e sensibilidade, quando representa as 50 marcas independentes, que (merecidamente) a procuram e mimam.

A Vi tem um percurso diversificado  e uma vida repleta de experiências heterogéneas entre si, que a fizeram competente, resiliente e multifacetada.

Com 39 anos, tem duas licenciaturas, em Ciência de Computadores (FCUP), e em Psicologia (UAB). Não obstante, foram os muitos anos no sector comercial que a dotaram das qualidades que agora servem a sua expertise.

Dos 22 anos de experiência, 15 foram dedicados ao grupo Ricon, no qual se tornou gestora comercial e coordenadora de outlets da Gant (Women e Home), Henry Cottons e Jacob Cohen, que, não só lhe garantiram conhecimento e confiança mais que suficientes, como também a levaram a uma vontade de independência e autogestão.

Perante este contexto, foi em 2016 que a CRU conquistou a dedicação deste peso pesado, que, desde então, se tem vindo a afirmar e a tomar um papel cada vez mais fundamental no seio do creative hub.

A gestora da loja da CRU é um ‘livro aberto’ e quem quiser conhecer as suas peripécias de vida pessoal, terá apenas que lhe fazer uma visita na CRU, novamente com a portas abertas a partir de amanhã, e de segunda a sábado, entre as 9h30 e as 19h.

Que estrelas se alinharam para que estivesses hoje no comando da loja da CRU ?

A minha infância foi passada entre pedaços de tecido e linhas que via serem transformados em peças de roupa fabulosas, a minha mãe era modista e trabalhava por conta própria. Desde cedo, aprendi a respeitar o trabalho árduo de quem não tem um salário certo no final do mês, mas trabalha no que lhe faz sorrir a alma. Assim, e depois de um percurso profissional recheado de experiências, decidi ao fim de 20 anos iniciar também o meu próprio negócio apoiando o design independente nacional e tentar ajudá-lo a ser valorizado. As portas da Cru Loja abriram no mesmo momento e por isso todas as estrelas se alinharam para que eu fizesse parte desta família. 

O que fazes para ‘desconectar’?

Quando a porta da loja se fecha, sou a mãe do Gustavo. É importante essa separação, é onde vou buscar energia para o dia seguinte. Um dos factores que mais pesou na decisão de mudança de carreira foi poder vê-lo crescer sem pressa. Assim há um horário para a Virgínia trabalhadora independente e para a Virgínia mãe do Gustavo.

Que critérios segues para a selecção das marcas e designers que representas?

A curadoria é feita através de uma leitura constante e progressiva daquilo que os nossos clientes procuram, privilegiando a sustentabilidade, o comércio justo, o made in Portugal. Na nossa pesquisa, ora analisamos propostas que nos chegam por email ou redes sociais, como o instagram, ora através de contacto directo, fazendo a nossa selecção de acordo com o nosso mercado que, ao longo do tempo, também se foi tornando cada vez mais selectivo e informado.

Quem são os clientes da CRU e o que é que os faz escolher os teus produtos?

O cliente tipo da CRU é um cliente exigente, com bom gosto, que aprecia qualidade acima de quantidade. Trata-se de um tipo de cliente que pretende comprar menos, mas melhor, que gosta de se diferenciar e, portanto, com personalidade própria. Trata-se ainda de um cliente que aposta no design independente nacional, com preocupações ambientais e sociais, que sabe que ser sustentável é, primeiramente, apostar no comércio local e justo, sabendo quem fez o quê. Não se tratando de um cliente que apenas consome, é um cliente que faz compras com consciência.

Atrás de uma grande mulher está sempre…quem?

Um marido que apoia seja qual for a decisão e uma comunidade de profissionais que se apoia e interajuda. É fabuloso poder seguir a caminhada com pessoas que nos acrescentam tanto, seja com a sua capacidade de criação, como os designers que representamos, seja com uma palavra de entusiasmo e ânimo nos dias menos positivos, ou ainda como equipa de trabalho que faz deste Creative Hub um todo orgânico e familiar.

O que te faria mais feliz ou realizada profissionalmente?

A minha realização profissional passaria sem dúvida pela possibilidade de mostrar e representar o design nacional sustentável ao mundo. Mostrar que não temos só a qualidade de produção mas também a criação de pessoas que são intemporais.

Uma vida na escola ou a escola da vida?

Uma vida na escola. Um dos meus maiores prazeres é estudar coisas novas, aprender assuntos distintos. Sou uma geek assumida. Adoro ler, assistir a webinars, pesquisar sobre algum assunto novo! A única coisa que me faz desistir desses prazeres é o prazer maior de ser mãe e passar tempo com o meu filho.

Covid 19, 20, 21… que dores ou triunfos foste somando ao longo deste período?

A ausência do contacto humano foi algo que me afectou imenso, sinto muita falta dessa conexão. Em termos económicos foi também um ano difícil. No entanto a quantidade de mensagens, emails recebidos por clientes, designers fez-me ter a certeza que o caminho é o certo e que de alguma forma fazemos falta na vida das pessoas. Isso é para mim o melhor feedback que poderia ter tido.

Que diferenças esperas encontrar no mundo da venda a retalho na era pós-covid?

A loja online será sem dúvida uma ferramenta essencial para o novo normal que se avizinha. Teremos um cliente mais preparado, que fará pesquisa no conforto do seu lar e virá à procura de coisas mais específicas focado na qualidade e intemporalidade do que compra. A sustentabilidade não só em termos ecológicos mas também económicos passará a estar presente e por isso irá comprar mais localmente com a certeza de onde foi produzido. Na Cru estaremos preparados porque sempre foi o nosso mote.

Tens algum motto ou mantra que recordas em períodos mais desafiantes?

“A dor de hoje será a lição de amanhã”; assim tudo o que nos acontece poderia sempre ser pior, por isso, há que dar o melhor e continuar.

 

CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Cortesia Virginia França

Helena Antónia | Vintage for a Cause

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50% Buda and 50% Beyoncé… Helena’s greatest strength is, possibly, knowing herself to the point of knowing her skills well but also her limits, balancing her aspiration for action and positive impact, with the natural need for withdrawal and contemplation.

We have known Helena Antónia for several years now, since her brand, Vintage for a Cause, became part of the selection of sustainable brands in our store, in xxx.

Always with a positive contagious energy, Helena won us over, not only because of the HRV concept very much in line with our line of action, but also because of her personality: sensitive and dreamy, pragmatic and determined.

A lawyer by training, Helena changed course and has been advocating since 2012 for upcycling and social inclusion through Vintage for a Cause. A brand that is also a cause, with the mission of reducing textile waste in parallel with the training and promotion of active aging for women over 50 years old.

The VFC pieces, usually designed by external designers (like Katty Xiomara, for example) follow a slow fashion model. The focus on timeless design contradicts the logic of the collections and the brand adopts its own, more sustainable cycle, based on resources, demand, and the production of small quantities and exclusive pieces. Concept that has been worth several supports and awards (CMP, EDP, Gulbenkian, Yves Rocher …)

Vintage For a Cause can be found on its website and in CRU’s physical and online stores,of course!

What led you to create Vintage For a Cause?

VFC was a fluke It was born as an idea in 2012, because I went to do a postgraduate course in Entrepreneurship and Social Innovation, without major goals. My intention was just to diverge from my professional activity at the time, lawyer and claims technician at an insurance company.
I had to come up with a business idea that would respond to one or more social or environmental problems. And I think it was my personal experience that conditioned the idea that came up at the time: creating sewing clubs to take isolated women out of the house where they would transform clothes and discarded materials into cool urban clothing (pieces that I wanted to find at competitive prices) in co -creation with designers, in order to occupy your time in a creative and stimulating way, have extra income and return to active life in a register more suited to your life stage.

I have to admit that at the time I did not look at HRV as my possible job or a source of income and that for some years I was not clearly aware of the best ranking for the initiative. It was simply something new that allowed me to apply and develop skills and to be in constant learning and in contact with people from different sectors.

Are you a lady or a slave of your time?

I impose myself to be more a lady of my time, than a slave to him. But it is an on-going achievement and challenging management. I have been achieving this in stages, defining work and personal care routines, daily intentions, and learning to say no with less hesitation.
I have been learning from other people, especially from different cultures, how important it is to “work well” or “work smart” instead of working long hours or “work hard”. This, combined with greater honesty in relation to my limits, made all the difference in this management.

What books have influenced you the most in your professional life?

I have always consumed immense literature in the area of ​​human development (I particularly like authors like Joe Dispenza or Gregg Braden or even Simon Sinek).
Due to the constant need to deepen different themes, I read a lot about sustainable fashion and the circular economy of many different authors and even researchers. (And there are so many incredible authors. I like Sandy Black and Sass Brown, but there are a thousand.)
However, I would say that Daniel Christian Wahl’s book “Design of regenerative cultures” was possibly the most impactful, because it made me better understand what would actually be the added value of initiatives like Vintage for a Cause from a systemic point of view.

Who are Vintage For a Cause customers and what makes them choose your products?

Vintage for a Cause has different types of customers, given the intervention areas (social, environmental and economic). Even so, I would say that the method is always the same: create networks and aligned partnerships that we work as much as possible and end up bringing greater communication strength.
We partner with more brands, projects, in segmented contexts.
Whether in the domestic market or in the foreign market, we always rely on platforms linked to circular economy, social innovation and sustainable fashion and we communicate a lot about impact.
With regard to the product, those who choose the brand are customers who buy in a more informed way and who like to differentiate themselves in trends and standards. They appreciate the way the product was made, but first of all a more unlikely design at a competitive price.
The brand also intends to democratize access to sustainable fashion.
We have recently approached communication also from the point of view of PR and press relations with a partnership with C.Greener.

Atrás de uma grande mulher está sempre…quem?

A huge trampoline made up of immense people, who make up the core team, the volunteers, the multiple professionals who represent our customers or partners and a number of people who touch me in ways that they are not even aware of and that, regardless of the nature of relationship that we can have, are true supporters.
And of course, my family, friends and close people who have always supported me unconditionally.

What ‘sweaters’ do you wear enthusiastically?

I am excited about “sweaters” that work for change and for the common good. Realistically, palpably, in equity, and making room for more people to get together and develop together.
So I am connected to more organizations like Fashion Revolution Portugal, Circular Economy Club or Between Parallels and more informal groups that like to do cute and healthy things.

Tell us what was your first crisis as an entrepreneur.

I have never taken myself nor taken myself very seriously as an entrepreneur. And I often have crises, because I feel that I am working in an area that has to have different KPIs, but to execute them I have to use the same ones from any business and from a more capitalist and competitive system where it is difficult to fit.
And it is a complex game, which is both challenging and stimulating, given the multi-stakeholder management it requires.
And, on the other hand, I know myself, and I know that my profile serves part of the game’s needs, but not all. I am also aware that, depending on the evolution of the brand, it may make sense for me to change my role in it and share the leadership.
This experience allows, above all, the development and acquisition of skills and support networks that enable me to do anything else and I feel very comfortable with the idea that my professional development may involve embracing other projects that I identify with and that my profile can serve.

How do you see the growth and scale of Vintage For a Cause in the coming years?

The scale model of a business with the HRV value chain can only be equated in a logic of replication of framework that takes advantage and redesigns structures and the use of existing resources, which can be led and implemented with some decentralization. More in the format of a stakeholder aggregating platform. It is the only way to generate more impact. Lightly, almost in a logic of certification and facilitation of processes for more local, inclusive and responsible models.

Who is Helena when she is not working?

I have never taken myself nor taken myself very seriously as an entrepreneur. And I often have crises, because I feel that I am working in an area that has to have different KPIs, but to execute them I have to use the same ones from any business and from a more capitalist and competitive system where it is difficult to fit.
And it is a complex game, which is both challenging and stimulating, given the multi-stakeholder management it requires.
And, on the other hand, I know myself, and I know that my profile serves part of the game’s needs, but not all. I am also aware that, depending on the evolution of the brand, it may make sense for me to change my role in it and share the leadership.
This experience allows, above all, the development and acquisition of skills and support networks that enable me to do anything else and I feel very comfortable with the idea that my professional development may involve embracing other projects that I identify with and that my profile can serve.

What tips or advice would you leave for someone starting out in the field of Social Entrepreneurship?

Fundamental: team, team, and team Test and fail well and fast, with little risk. Don’t be a perfectionist …
The rest concerns soft skills (which should be called strong skills), some luck or serendipity.
And in this field, I think it is very important to get to know each other as much as possible, to be very clear in relation to our personal “success” terms and to be super comfortable with continual failure, because this will be the constant of the process that will allow learning and evolution of the business, whatever that may be… I would say that 80% is commitment and personal work, a good team and good relations and 20% science or management.

CRU Spotlight is a rubric of short interviews with people from the CRU community, focusing on aspects of their professional life as independent in the Creative Industries sector.
Text: Tânia Santos Edition: Rossana Fonseca Photos:courtesy of Helena Antónia Silva

Pedro Maçana | Wayz

By | Spotlight

Wayz for Life is the way of being in life that Pedro Maçana chose after a consolidated career on and off national soil.

Initially, graduated in Management by FEP and at the age of 42, the creator of this sneaker brand identified the opportunity to make a difference based on principles of ecological, environmental and social sustainability, through a timeless design, quality ecological materials, and local production. Abrir no Google Tradutor • Feedback Google Tradutorhttps://translate.google.pt › … O novo serviço gratuito da Google traduz instantaneamente palavras, expressões e até páginas da Web entre português e mais de 100 outros idiomas.

It was precisely in the Footwear Design course at the Lisbon School of Design, which he joined in 2018, that Pedro met his current partner (and shoe designer) Daniel Gonçalves. Following the motto “Walk your Way”, together they created Wayz, a sustainable and socially responsible brand of sneakers, entirely produced in Porto.

Wayz, launched in December 2019 after a crowdfunding campaign at Indiegogo, practically did not know the world (or the market) in a non-pandemic time. Nevertheless, the path continues to be trodden with determined steps towards the rest of Europe and, in the press, is the launch of a product made with 100% recycled and vegan materials.

Since March 2020, Wayz has been part of CRU’s careful selection of sustainable brands. About Pedro, we emphasize his professionalism, courage and his contagious positivism.

The coolest sneakers in the country can be found in the brand’s physical and online store, as well as in CRU’s physical and online store, of course.

What led you to create Wayz?

The creation of Wayz was born out of a personal trip, which brought me back to Porto, after 18 years working at a retail multinational in Spain, Portugal and France. A life change that created the opportunity to launch this project, combined with a passion for shoes and the desire to create a 100% Portuguese and responsible sneaker brand: Sneakers with a Humanistic Footprint.

Reveal to us what you usually have on top of your work desk, on a perfectly normal day

I am a little nomadic in my work habits. I have several desks and workplaces. With the pandemic, this habit was accentuated. When I have a desk, there is usually little: the computer, of course, my notebook, a glass of water or a canteen. The less things the better.

Tell us your top5 sustainable brands. What else do they have in common?

In the world of shoes, there are two brands that inspire me, Veja, a French sneaker brand and Red Wing Shoes, an American “work boots” brand. At Veja, I appreciate the sustained and organic way in which two young people created a brand of sneakers, with values, responsibility, sustainability, creating a network of partners and redistributing value among the various stakeholders. And the product, of course, especially the timeless design.

At Red Wing, I love the quality and timelessness of the product (decades-old design) and the fact that we can repair the boots, change the soles, and give them new life. True sustainability is in the (timeless) design and quality / durability of the product.

For the same reasons, I like La Paz and Isto, Portuguese clothing brands. Leaving the world of fashion, I really like the Brompton folding bicycle brand, an incredible product, thought and conceived for the movements in the city, with an unmistakable aesthetics / functionality.

What ways do you find to activate your brand and get the Wayz to your customers’ feet?

We use social networks a lot, Instagram especially, but also Facebook and Linkedin. In the last case, more to talk about the evolution of Wayz as a brand and the various initiatives in which we participate. In addition, we are present at events (Moda Lisboa, GreenFest, Planetiers, etc.) related to sustainability / conscious consumption and, whenever possible, also in the media (press, tv, etc.).

Copyrights, royaties, drawings, patents, trademarks … do you normally sail in these waters?Copyrights, royaties, drawings, patents, trademarks … do you normally sail in these waters?

All of this is extremely complex… as soon as we got to the Wayz name and logo, we decided to register the brand at a European level. We didn’t have any models designed or produced yet, but we knew it was important to protect ourselves. In spite of this, we are not free of threats and brave scares, which were only resolved by resorting to a trademark and patent protection office. It is a very delicate subject that should not be overlooked when launching a project / brand

What technological crutches do you use to dominate or simplify your day-to-day life?

I am very basic with technology. For me it has to be easy to use and create immediate value. So I limit myself to using Shopify, to manage and streamline our online store. Social networks, already mentioned, to communicate with our community, and chat, to communicate with our customers. Daniel, who founded Wayz with me and is the designer of our products, does not do without Adobe Illustrator and Photoshop, and drawing software to create and illustrate our Wayz!

What is it like for you to be an entrepreneur in Porto / Portugal?

Either it is done with passion, resilience and some dose of madness, or else it is not worth it. I usually say that the trip is hard, but it is worth it.

And I think this is universal. I think it is no different because we are in Porto, or in Portugal. Our geographical location brings us advantages, we have factories around the corner and good know-how in the industry in general. But we also have drawbacks, access to the consumer is more difficult given the small size and weak purchasing power of our domestic market.

In other countries it will be different, we have to know how to live with this reality, adapt to do well and always better

What, for Wayz, is coming next?

Wayz has to grow as a brand, gain notoriety nationally and internationally. We want to enter several digital marketplaces, in several European countries. We also want to enter the B2B, retail market.

At the product level, the next step will be the launch of a product made with 100% recycled and vegan materials.

Wayz for life… who takes this route, step by step, with you?

Wayz was created by me and Daniel Gonçalves and it has been mainly a trip for two, in which we got to know and invite partners to work, occasionally or on a regular basis, with us and make the project grow. From the outset, our partners in product development, factories, material suppliers, etc., but also marketplaces and stores, such as CRU, that help us reach customers and publicize the brand, or other communities, such as UPTEC, which was key in launching the project.

Nothing is done alone, I deeply believe in collaboration and interdependence. It is said, alone we go faster but together we go further!

What differences do you find in the universe of sustainable consumption in the post-covid era?

The pandemic broke our growth as a brand. We hardly know what it’s like to have a brand in normal times because Wayz was born in late 2019!

In the way we work, we adapt, like everyone else. We postponed some projects and favored others. Regarding our products, nothing has changed. What we believed in before, makes even more sense during and after the pandemic: a high quality product, made ethically and responsibly, locally, with a timeless, versatile, genderless and seasonal design, sold at a fair price. These are relevant attributes that will win over Portuguese and international customers interested in creating a better world, in which we produce, consume and manage companies in a responsible and aggregating manner.

CRU Spotlight is a rubric of short interviews with people from the CRU community, focusing on aspects of their professional life as independent in the Creative Industries sector.

Text: Tânia Santos Edition: Rossana Fonseca Photos:Courtesy Pedro Maçana / Wayz

Ana Novais | Petiscos & Miminhos

By | Spotlight

Petiscos is the middle name of Ana Novais, who would be far from imagining that this would become a personal nickname, when, more than a decade ago, she created the Petiscos e Miminhos brand.

For us, it is Pesticos, or Pestisquini, friend and companion, in whom we recognize an entrepreneurial spirit, courage, curiosity and the frontality that we so appreciate.

We do not know for sure when and how we met Ana Novais, but her relationship with CRU dates back to her first day, having been responsible for the inauguration catering, in February 2012. Since then, until 2016, she has been our partner in events, in which she presented her snacks, also passing by being one of the residents of our cowork.

The training in Scenography was certainly a precious ingredient for the care and aesthetics with which he always presented his snacks in caterings that he prepared for hundreds of people daily, whether in private celebrations or public conferences.

Still, he had time to dedicate himself to a postgraduate degree in Hotel Management at ESEIG in 2013, lived in Milan while learning the secrets of pastry and finally completed a specialization in Digital Marketing at EDIT in 2019.

Photography was constantly present in its path, becoming increasingly prominent on its social networks. Thus, naturally and gradually, she was invited as a Food Stylist for several publications of culinary recipes, which took her to Munich, and to establish herself as a freelancer in the production of digital content in this same area, for several national and international companies.

Ana likes dogs, beautiful floors, cafeterias and remains in love with the city Invicta, even though she currently lives in the capital.

Your beautiful Instagram account will confirm our affirmations!

And if your mouth wateres, some of the recipes published there can be found here.

How did you becomeFood Stylist and content creator?

It all happened a little bit by chance. I have a background in cooking and set design, I am passionate about the two areas and this was the way to bring the two together. I started with a playful blog, which led to professional proposals and almost without realizing I was working as a food stylist and content creator full time!

Concentration vs procrastination… what is your recipe for productivity?

Probably one cannot exist without the other. I believe that no one can concentrate on a single hour-long task. In my case, when I realize that the level of productivity / concentration is going down I prefer to stop and change to another activity, and return to the first one with a fresh and rested look. My motto is Work Smart.

Reveal to us what you usually have on top of your work desk, on a perfectly normal day.

Tea … I always have a teapot next to me (right now I’m in a mint tea phase).

What books have influenced you the most in your professional life?

In my case I am more influenced by images than by words, although I read about gastronomy, food culture, food design and the like, my biggest influence is audiovisual: photography and video. Despite working with food, I research images in different areas such as fashion, architecture, plastic arts, among others.

What are your preferred communication channels that you use to make your work known?

At the moment the main thing is Instagram, it is the most immediate and accessible way to reach people and create a small community. However, it requires immense work and dedication, it is necessary to create a constant presence, create appealing content and interact with other communities. I also have a website-style online portfolio, for those who want to know my work outside the content published on social networks.

What principles govern you when you price your work or negotiate with a client?

Finding a fair value for me and the client is one of the biggest challenges, I think that all freelancers live in this agony. The best method for me is to be transparent with the client, explain the hours of work that a project requires and the necessary resources. In this way it becomes easier to negotiate and reach an agreement that is beneficial to both parties.

Tell us what was your first crisis as an entrepreneur.

I’ve been through some crises, it’s part of the process. I can’t tell which one was the first, since there are already a few… but there is a traditional saying that fits like a glove in those less good moments: “there is no harm that always lasts, nor that it doesn’t end”, it’s best to breathe understand what is going wrong and try to find a solution.

What’s next for you next turn?

In these exotic times we are living in, I am really trying to live one day at a time, which seems easier than it really is! I would like to develop a project in the area of ​​Food Design, lately I have been doing a lot of research in this area.

What apps / software make you a superwoman?

The app that I use most (professionally but personally) is google maps, for me one of the best inventions ever, since before I spent my life losing myself and consequently arriving late for work. I use Pinterest a lot to search for images, inspiration and to build moodboards. Lastly vsco for when you need to edit photos quickly

What were the biggest lessons you learned in these years as an entrepreneur and freelancer?

The most important but also the least sexy is learning to manage money, something that was not very intuitive for me. Another important lesson is to learn to value my time, time is the most precious asset that we have and in the past I did not value the time needed to carry out a project and the impact that this would have on my free time.

CRU Spotlightis a rubric of short interviews with people from the CRU community, focusing on aspects of their professional lives as independents in the Creative Industries sector Text:Tânia Santos Edition:Rossana Fonseca Photos: Courtesy Ana Novais

Foster Hodge | Inglês Nu e Cru

By | Spotlight

794 is the number of podcasts that Foster has, available on Spotify, recorded in batches of 7 / week, and that reach the ears of more than 10 million Brazilians.

What started in a natural and timid way is, 5 years later, a profitable, well-structured business that brings value, in the form of practical and accessible English courses, to more than 10,000 students.

Foster was born in the state of South Carolina in the USA. He graduated from the University of the South with a diploma of honor in International Relations and Spanish. He also has an international MBA from the Darla Moore School of Business where he graduated with honors.

After his studies he worked with international education, in NGOs and as a teacher, taking him to different parts of the world such as Spain, New York, Guatemala, and Brazil.

Nowadays, he lives in Porto with his partner Alexia and their dog, Buddy.

This team (Buddy included!) Has been established in the CRU cowork since 2019.

What led you to create the Naked and Raw English?

In fact, at the beginning, we started with our other podcast, Carioca Connection. I was in Rio de Janeiro after taking an International MBA. During my master’s degree I realized that I liked the “international” part more than the “MBA”.During my master’s degree I realized that I liked the “international” part more than the “MBA”. I knew that I didn’t want a normal job, or rather, a normal life. But, I listened to a lot of podcasts, knew how to produce audios, and wanted to improve my Portuguese.

Then alexa enters the story…

A few weeks after meeting her, I asked if she wanted to create a podcast with me, and she (I still don’t know why) agreed.

We started with the same format as another podcast that taught me to speak Spanish, Notes in Spanish. The idea was simple. An American learning Portuguese in a natural and fun way, through conversation with Alexia.

We had a bit of success, but few people listened to Carioca Connection in the beginning. People liked the content very much, but the audience was small and it was not a profitable business. During my stay in Rio, everyone wanted to learn English. And then we think, are we doing it the other way around? We followed the same format, only this time I was teaching Alexia, and then born the Inglês Nu E Cru. Almost 5 years later, English Nu E Cru is one of the most popular educational podcasts in Brazil and Carioca Connection continues to teach thousands more people about the language and culture of Brazil.

Concentration vs procrastination… what is your recipe for productivity?

To be honest, I don’t have a prescription. I’ve done everything – working hard, working less, every imaginable ‘productivity hacks’ and it’s still work in progress.

Who are your superheroes in the field of e-learning and podcasting? what superpowers do they have?

Ben Curtis and Marina Diaz from Notes In Spanish. They inspired me to create our first podcast and continue to inspire me. They have a mix of authenticity, simplicity, and fun that is difficult to find in the area.

Craig Mod is my favorite writer at the moment and is an example who may have the smallest niche in the world and still have a viable business.

What ways do you find to activate your brand and make your audio reach your customers’ ears?

Above all, podcasts. We recorded a lot (almost 7 episodes a week), so we have a lot of content on a channel that is still relatively small and emerging. Our marketing has always been word of mouth. People like what we do and tell others.

Who else is part of the Naked and Raw English project? How do you share your tasks and responsibilities?

We are three Me, Alexia, and Felipe. In the first three years, it was just me and Alexia. At that time, we did a little bit of everything. Nowadays, Alexia and I do the creation and production of podcasts. I do most of the creation for our courses. Alexia is responsible for social media and the support of our customers. Felipe does the editing and maintains our website.

Remember one of your proudest professional moments

When Nu E Cru English was recognized as one of the ten best podcasts of the year with a woman as a presenter.

How do you see the growth and scale of your project in the coming years?

I know that podcasts will continue to grow. Online education, too, will continue to evolve. I see our schools as a combination of these two worlds. I don’t know what role we are going to have in this story but, I’m glad we are going to participate.

What technology do you need?

We use a website called Podia for our courses. ConvertKit for our email marketing. A Zoom H4N to record podcasts. With technology, the simpler the better.

Who is Foster when he’s not working?

When I’m not working, you can usually find me playing with our dog, Buddy, playing music, or walking in nature. I’m happier when I can do all three at the same time.

What tips or advice would you leave for someone starting out in your area?

You already have something to teach. When we started Nu E Cru English, I didn’t consider myself an “English teacher.” Now, almost ten million Brazilians have been listening to our audios. You already know more about something than most people – share your passion, help people, and success will find you. Oh, and you must understand the concept of “1,000 true fans” and start a podcast today.

 

CRU Spotlight is a rubric of short interviews with people from the CRU community, focusing on aspects of their professional life as independent in the Creative Industries sector.

Text: Tânia Santos Edition: Rossana Fonseca Photos: Courtesy Foster

Creative Mentorship for Creative Leaders and Entrepreneurs

By | Events

speakers

Nana Radenković & Dragana Jevtić

Date/ Time

9 October 2020 | 18 - 20h

Local

UPTEC Baixa (PINC)
Coronel Pacheco Square, 2, Porto

Entrance

Free with Registration

DESCRIPTION

What is mentorship?
Is it for me?
What can I learn and gain from it?
If i become a mentee or a mentor, what impact will it have on my personal and professional development?
Should I find a mentor for myself?
And if yes – how?
These are just some of the questions we will discuss jointly with the audience, in an interactive presentation and Q&A session.
Within the Creative Hubs Network partnership, UPTEC welcomes CRU Cowork (Porto) and Nova Iskra Creative Hub (Belgrade, Serbia) currently engaged in the second round of Creative FLIP peer-to-peer exchange and mobility scheme for creative hubs from across the European continent and its neighborhood.
Within this exchange, guests from Belgrade, Nana Radenković, co-founder and program manager of Nova Iskra Creative Hub, and Dragana Jevtić, co-founder and director of Creative Mentorship organization which is one of the coworkers in Nova Iskra hub, will share their experiences and insights on benefits and values of mentorship for creatives, with the aim of the implementation of the new CRU Creative Mentorship, addressed to the creative class in Porto.
This program will focus on various topics around mentorship and its specific value for personal and professional development to the upcoming leaders in the field of culture, art and media.
We are very much looking forward to meeting all interested professionals and future professionals from the field of arts, culture and creative industries in Porto and sharing our knowledge, experience, passion and enthusiasm.
About Creative Mentorship
Creative mentorship was developed in Serbia 8 years ago as a bottom-up initiative, from the need which was recognized by initiators. Since then, through every new cycle and new generation of mentees and mentors, the program has been further developed and improved. Creative Mentorship promotes mentorship as a way of lifelong learning and exchange of knowledge and experience between established professionals, mentors and emerging professionals, mentees. So far, 5 cycles of the program were realized with more than 250 participants..Our network represents 250 ambassadors of the idea of mentorship, knowledge and experience sharing, and mutual support.
In addition to running the mentorship program in Serbia, the mission of Creative Mentorship is to spread the information about mentorship globally, about its value and impact, both on individuals and the society as a whole. As this organization started from the need, as a bottom up initiative, we know all the do’s and don’t of running a mentoring program, and are happy to share this knowledge to support organizations of creatives around Europe and wider to start their own mentoring programs in their countries.
http://kreativnomentorstvo.com/
About Nova Iskra
Nova Iskra Creative Hub gathers various initiatives, entrepreneurs and professionals from the field of creative industries. Nova Iskra We design spaces and experiences for people, organizations and businesses to work, learn, innovate and create together. We are taking an active role in shaping the ways in which, as a society, we will live, learn and work.
https://novaiskra.com/en/
About Creative FLIP
Finance, Learning, Innovation and Patenting is a Pilot project co-funded by the EUand lead by Goethe Institute, whose main objective is to support healthy and sustainable ecosystems for Cultural and Creative Industries (CCIs) with respect to these four key policy areas.
https://creativeflip.creativehubs.net/

SPEAKERS

Dragana Jevtić

Dragana Jevtić, founder and director of the Creative Mentorship has a great experience in understanding the specific needs of professionals within the creative sector and has devoted her time and focus to raise awareness on the value of mentorship and importance overall personal development within the creative community.

Nana Radenković

Nana Radenković is one of the co-founders of Nova Iskra Creative Hub, where she is focused on creating mentoring programs, trainings and workshops for individuals, organizations and companies interested in taking an active role in the processes of transformation – not only of their projects and businesses, but also through creation of new ways in which we could learn, live and work in the future.

Foster Hodge | Inglês Nu e Cru

By | CRU Spotlight

794 é o número de podcasts que o Foster tem, disponíveis no Spotify, gravados em lotes de 7/semana, e que chegam aos ouvidos de mais de 10 milhões de brasileiros.

O que começou de forma natural e tímida é, 5 anos depois, um negócio rentável, bem estruturado, e que traz valor, sob a forma de cursos de inglês práticos e acessíveis, a mais de 10 mil alunos.

Foster nasceu no estado da Carolina do Sul nos EUA.  Se formou na University of the South com diploma de honra em Relações Internacionais e Espanhol. Ele também tem um MBA internacional da Darla Moore School of Business onde ele se formou com distinção.

Depois dos estudos ele trabalhou com educação internacional, em ONGs e como professor, levando ele para várias partes do mundo como Espanha, Nova Iorque, Guatemala, e Brasil.

Hoje em dia, ele mora no Porto com sua parceira Alexia e o cachorro deles, Buddy.

Esta equipa (Buddy incluído!) está estabelecida no cowork da CRU desde 2019.

O que é que te levou a criar a Inglês Nu e Cru?

Na verdade, no início, começamos com o nosso outro podcast, Carioca Connection. Eu estava no Rio de Janeiro depois de fazer um MBA Internacional. Durante o meu mestrado percebi que gostei mais da parte “internacional” do que o “MBA” mesmo. Eu sabia que não queria um emprego normal, ou melhor, uma vida normal. Mas, eu escutava muitos podcasts, sabia como produzir áudios, e queria melhorar o meu português.

Aí a Alexia entra na história…

Poucas semanas depois de conhecê-la, perguntei se ela queria criar um podcast comigo, e ela (ainda não sei por quê) topou.

Começamos com o mesmo formato de um outro podcast que me ensinou a falar espanhol, Notes in Spanish.  A ideia era simples. Um americano aprendendo português de uma forma natural e divertida, através da conversação com a Alexia.

Tivemos um pouco de sucesso, mas poucas pessoas escutavam o Carioca Connection no começo. As pessoas gostaram muito do conteúdo mas, a audiência era pequena e não foi um negócio rentável. Durante a minha estadia no Rio, todo mundo queria aprender inglês. E daí pensamos, será que estamos fazendo isso ao contrário? Seguimos com o mesmo formato, só que desta vez eu estava ensinando a Alexia, e nasceu o Inglês Nu E Cru. Quase 5 anos depois, o Inglês Nu E Cru é um dos podcasts educacionais mais populares do Brasil e o Carioca Connection continua a ensinar milhares de pessoas mais sobre a língua e cultura do Brasil.

Concentração vs procrastinação… qual é a tua receita para a produtividade?

Para ser bem sincero, não tenho receita. Já fiz tudo – trabalhando muito, trabalhando menos, todos os ‘produtivity hacks’ imagináveis e ainda é um trabalho em progresso.

Quem são os teus super-heróis na área do e-learning e podcasting? que super-poderes têm eles?

Ben Curtis e Marina Diaz do Notes In Spanish. Eles me inspiraram a criar nosso primeiro podcast e continuam a me inspirar. Eles têm uma mistura de autenticidade, simplicidade, e diversão que é difícil achar na área.

Craig Mod é meu escritor favorito do momento e é um exemplo que pode ter o nicho mais pequeno do mundo e ainda tem um negócio viável.

Que formas encontras de activar a tua marca e de fazer chegar o teu áudio aos ouvidos dos teus clientes?

Sobretudo, podcasts. Gravamos muito (quase 7 episódios por semana), então temos muito conteúdo em um canal que ainda é relativamente pequeno e emergente. Nosso marketing sempre tem sido boca a boca. Pessoas gostam do que fazemos e contam para os outros.

Quem mais faz parte do projecto Inglês Nu e Cru? Como dividem as vossas tarefas e responsabilidades?

Somos três. Eu, Alexia, e Felipe. Nos três primeiros anos, foram só eu e a Alexia. Naquela época, fizemos um pouco de tudo. Hoje em dia, eu e a Alexia fazemos a criação e produção dos podcasts. Eu faço a maioria da criação para os nossos cursos. Alexia é responsável pelas mídias sociais e o suporte dos nossos clientes. Felipe faz a edição e mantém o nosso site.

Recorda um dos teus momentos de maior orgulho profissional

Quando o Inglês Nu E Cru foi reconhecido como um dos dez podcasts melhores podcasts do ano com uma mulher como apresentadora.

Como vês o crescimento e a escala do teu projecto nos próximos anos?

Eu sei que podcasts vão continuar a crescer. Também a educação online vai continuar a evoluir. Vejo as nossas escolas como uma combinação desses dois mundos. Não sei qual papel vamos ter nessa história mas, eu fico feliz que vamos participar.

Que tecnologia não dispensas?

Usamos um site chamado Podia para os nossos cursos. ConvertKit para nosso email marketing. Um Zoom H4N para gravar podcasts. Com tecnologia, quanto mais simples, melhor.

Quem é o Foster quando não está a trabalhar?

Quando não estou a trabalhar, normalmente pode me encontrar a brincar com o nosso cachorro, Buddy, tocando música, ou caminhando na natureza. Fico mais feliz quando posso fazer os três ao mesmo tempo.

Que dicas ou conselhos deixarias para alguém que está a começar na tua área?

Você já tem algo para ensinar. Quando começamos Inglês Nu E Cru, não me considerei “professor de inglês.” Agora, quase dez milhões de brasileiros têm escutado os nossos áudios. Você já sabe mais sobre uma coisa do que a maioria das pessoas – compartilhe sua paixão, ajude pessoas, e o sucesso vai te encontrar. Ah, e você deve entender o conceito de “1,000 true fans” e começar um podcast hoje.

 

CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Cortesia Foster