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Ana Novais | Petiscos & Miminhos

By | CRU Spotlight

Petiscos é o Nome Do Meio de Ana Novais, que estaria longe de imaginar que este se tornaria uma alcunha pessoal, quando, há mais de uma década, criou a marca Petiscos e Miminhos.

Para nós, é a Pesticos, ou Pestisquini, amiga e companheira, em quem reconhecemos um espírito de empreendedora, coragem, curiosidade e a frontalidade que tanto apreciamos.

Não sabemos ao certo quando e como conhecemos a Ana Novais, mas a sua relação com a CRU data mesmo do seu primeiro dia, tendo sido a responsável pelo catering de inauguração, em Fevereiro de 2012. Desde então, até 2016, foi nossa parceira de eventos, nos quais apresentava os seus petiscos, passando, ainda, por ser uma das residentes do nosso cowork.

A formação em Cenografia foi, decerto, um ingrediente precioso para o cuidado e a estética com que sempre apresentou os seus petiscos em caterings que preparava para centenas de pessoas diariamente, quer em celebrações privadas ou conferências públicas.

Ainda assim, teve tempo para se dedicar a uma pós graduação em Gestão Hoteleira na ESEIG em 2013, viveu em Milão enquanto aprendia os segredos da pastelaria e, finalmente, completou uma especialização em Digital Marketing na EDIT, em 2019.

A fotografia esteve constantemente presente no seu percurso, tornando-se cada vez mais marcante nas suas redes sociais. Assim, natural e gradualmente, foi sendo convidada como Food Stylist para diversas publicações de receitas culinárias, o que a levou para Munique, e a estabelecer-se como freelancer na produção de conteúdos digitais nesta mesma área, para várias empresas nacionais e internacionais.

A Ana gosta de cães, chãos bonitos, cafetarias e continua apaixonada pela cidade Invicta, mesmo que viva actualmente na capital.

A sua belíssima conta de instagram confirmará as nossas afirmações!

E se crescer água na boca, algumas das receitas lá publicadas podem ser consultadas aqui.

Como vieste a tornar-te Food Stylist e criadora de conteúdos?

Aconteceu tudo assim um bocadinho por acaso. Tenho formação em cozinha e em design de cenografia, sou apaixonada pelas duas áreas e esta foi a forma de unir as duas. Comecei com um blogue em tom de brincadeira, o que levou a propostas profissionais e quase sem perceber estava a trabalhar como food stylist e criadora de conteúdos a tempo inteiro!

Concentração vs procrastinação… qual é a tua receita para a produtividade?

Provavelmente uma não existe sem a outra. Acredito que ninguém consegue estar concentrado numa só tarefa horas fio. No meu caso, quando percebo que o nível de produtividade/concentração está baixar prefiro parar e mudar para outra atividade, e voltar à primeira com um olhar fresco e descansado. O meu lema é Work Smart.

Revela-nos o que costumas ter em cima da tua secretária de trabalho, num dia perfeitamente normal.

Chá…tenho sempre um bule de chá ao meu lado (neste momento estou numa fase de chá de menta).

Que livros mais te influenciaram na tua vida profissional?

No meu caso sou mais influenciada por imagens do que por palavras, apesar de ler sobre gastronomia, food culture, food design e afins, a minha maior influência é audiovisual: fotografia e vídeo. Apesar de trabalhar com comida pesquiso imagens em diferentes áreas como moda, arquitetura, artes plásticas, entre outras.

Quais são os teus canais de comunicação de eleição que usas para fazer conhecer o teu trabalho?

Neste momento o principal é o Instagram, é a forma mais imediata e acessível para chegar a pessoas e criar uma pequena comunidade. No entanto, exige imenso trabalho e dedicação, é preciso criar uma presença constante, criar conteúdos apelativos e interagir com outras comunidades. Também tenho um portfólio online em estilo website, para quem queira conhecer o meu trabalho fora do conteúdo publicado nas redes sociais.

Que princípios te regem quando atribuis um preço ao teu trabalho ou negoceias com um cliente?

Encontrar um valor justo para mim e para o cliente é um dos maiores desafios, acho que todos os freelancers vivem nesta agonia. O melhor método para mim é ser transparente com o cliente, explicar as horas de trabalho que determinado projecto exige e os recursos necessários. Desta forma torna-se mais fácil negociar e chegar a um acordo que seja proveitoso para ambas as partes.

Conta-nos qual foi a tua primeira crise enquanto empreendedora.

Já passei por algumas crises, faz parte do processo. Não consigo precisar qual foi a primeira, sendo que já lá vão algumas…mas há um ditado tradicional que encaixa que nem uma luva naqueles momentos menos bons: “não há mal que sempre dure, nem bem que não acabe”, o melhor é respirar fundo perceber o que está a correr mal e tentar encontrar uma solução.

O que está, para ti, a seguir à próxima curva?

Nestes tempos exóticos que vivemos estou mesmo a tentar viver um dia de cada vez, o que parece mais fácil do que realmente é! Gostava de desenvolver um projecto na área do Food Design, ultimamente tenho pesquisado bastante nesta área.

Que apps / software fazem de ti uma super-mulher?

A app que mais uso (profissionalmente mas pessoalmente) é o google maps, para mim uma das melhores invenções de sempre, sendo que dantes passava a vida a perder-me e por consequência a chegar atrasada a trabalhos. Uso imenso o Pinterest para pesquisa de imagens, inspiração e construção de moodboards. Por último o vsco para quando é necessário editar fotografias rapidamente

Quais foram as maiores lições que aprendeste, nestes anos enquanto empreendedora e freelancer?

A mais importante mas também a menos sexy é a aprender a gerir o dinheiro, algo que não era muito intuitivo para mim. Outra lição importante é aprender a valorizar o meu  tempo, o tempo é o bem mais precioso que temos e no passado não valorizava o tempo necessário para realizar um projecto e o impacto que isso teria no meu tempo livre.

O CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Cortesia Ana Novais

Pedro Maçana | Wayz

By | CRU Spotlight

Wayz for Life é a forma de estar na vida que Pedro Maçana escolheu após uma consolidada carreira dentro e fora de solo nacional.

Inicialmente, licenciado em Gestão pela FEP e com 42 anos, o criador desta marca de sapatilhas identificou a oportunidade de fazer a diferença assente em princípios de sustentabilidade ecológica, ambiental e social, através de um design intemporal, de materiais ecológicos de qualidade, e de produção local.

Foi precisamente no curso de Design de Calçado da Lisbon School of Design, no qual ingressou em 2018, que Pedro conheceu o seu actual sócio (e designer das sapatilhas) Daniel Gonçalves. Seguindo o próprio mote “Walk your Way”, criaram juntos a Wayz, uma marca de sneakers sustentável e socialmente responsável, totalmente produzida no Porto.

A Wayz, lançada em Dezembro de 2019 após uma campanha de crowdfunding na Indiegogo, praticamente não conheceu o mundo (ou o mercado) em época não pandémica. Não obstante, o caminho continua a ser pisado com passos determinados em direcção ao resto da Europa e, no prelo, está o lançamento de um produto feito com 100% de materiais reciclados e vegan.

Desde Março de 2020 que a Wayz faz parte da criteriosa selecção de marcas sustentáveis da CRU. Sobre o Pedro, sublinhamos o seu profissionalismo, coragem e o seu positivismo contagiante.

As sapatilhas mais fixes do país podem ser encontradas na loja física e online da marca, bem como na loja física e online da CRU, naturalmente.

O que é que te levou a criar a Wayz?

A criação da Wayz nasce de uma viagem pessoal, que me trouxe de volta ao Porto, depois de 18 anos a trabalhar numa multinacional de retalho em Espanha, Portugal e França. Uma mudança de vida que criou a oportunidade de lançar este projeto, aliada a uma paixão por sapatos e à vontade de criar uma marca de sneakers 100% portuguesa e responsável: Sneakers with a Humanistic Footprint.

Revela-nos o que costumas ter em cima da tua secretária de trabalho, num dia perfeitamente normal

Sou um pouco nómada nos meus hábitos de trabalho. Tenho várias mesas e locais de trabalho. Com a pandemia este hábito acentuou-se. Quando tenho uma secretária, normalmente há pouca coisa: o computador, claro, o meu caderno de notas, um copo de água ou um cantil. Quanto menos coisas melhor.

Diz-nos o teu top5 de marcas sustentáveis. Que mais é que elas têm em comum?

No mundo dos sapatos há duas marcas que me inspiram, a Veja, marca de sneakers francesa e a Red Wing Shoes, uma marca de “botas de trabalho” americana. Na Veja aprecio a forma sustentada e orgânica como dois jovens criaram um marca de sapatilhas, com valores, responsabilidade, sustentabilidade, criando uma rede de parceiros e redistribuindo valor pelos vários intervenientes. E o produto, claro, sobretudo o design intemporal.

Na Red Wing, adoro a qualidade e intemporalidade do produto (design com décadas) e o facto de podermos reparar as botas, mudar as solas, e dar-lhes nova vida. A verdadeira sustentabilidade está no design (intemporal) e qualidade/durabilidade do produto.

Pelas mesmas razões, gosto da La Paz e da Isto, marcas portuguesas de roupa. Saindo do mundo da moda, gosto muito da marca de bicicletas dobráveis Brompton, um produto incrível, pensado e concebido para as movimentações na cidade, com uma estética/ funcionalidade inconfundíveis.

Que formas encontras de activar a tua marca e de fazer chegar os Wayz aos pés dos teus clientes?

Usamos muito redes sociais, Instagram sobretudo, mas também o Facebook e o Linkedin. Neste último caso, mais para falar sobre a evolução da Wayz enquanto marca e das diversas iniciativas em que participamos. Além disso, estamos presentes em eventos (Moda Lisboa, GreenFest, Planetiers, etc) ligados à sustentabilidade/consumo consciente e, sempre que possível, também nos media (imprensa, tv, etc).

Copyrights, royaties, desenhos, patentes, marcas… navegas normalmente nestas águas?

Tudo isso é de uma grande complexidade… assim que chegámos ao nome Wayz e ao logotipo, decidimos registar a marca a nível europeu. Ainda não tínhamos nenhum modelo desenhado ou produzido, mas sabíamos que era importante proteger-nos. Apesar disso, não nos livramos de umas ameaças e de uns valentes sustos, que só foram resolvidos recorrendo a um gabinete de protecção de marcas e patentes. É um assunto muito delicado que não deve ser esquecido quando se está a lançar um projecto/marca

Que muletas tecnológicas usas para dominar ou simplificar o teu dia-a-dia?

Sou muito básico com a tecnologia. Para mim tem que ser fácil de usar e criar valor imediato. Sendo assim limito-me a usar o Shopify, para gerir e dinamizar a nossa loja online. As redes sociais, já referidas, para comunicar com a nossa comunidade, e o chat, para comunicar com os nossos clientes. O Daniel, que fundou comigo a Wayz e é o designer dos nossos produtos, não prescinde do Adobe Illustrator e do Photoshop, e de software de desenho para criar e ilustrar os nossos Wayz!

Como é para ti ser empreendedor no Porto / em Portugal?

Ou se faz com paixão, resiliência e alguma dose de loucura, ou então não vale a pena. Costumo dizer que a viagem é dura, mas vale a pena.

E penso que isto é universal. Acho que não é diferente por estarmos no Porto, ou em Portugal.  A nossa localização geográfica traz-nos vantagens, temos as fábricas ao virar da esquina e um bom know-how na indústria em geral. Mas também temos inconvenientes, o acesso ao consumidor é mais difícil dada a pequena dimensão e fraco poder de compra do nosso mercado interno.

Noutros países será diferente, temos que saber viver com esta realidade, adaptar-nos para fazer bem e sempre melhor

O que está, para a Wayz, a seguir à próxima curva?

A Wayz tem que crescer enquanto marca, ganhar notoriedade a nível nacional e internacional. Queremos entrar em vários marketplaces digitais, em diversos países europeus. Queremos também entrar no mercado B2B, de retalho.

A nível de produto, o próximo passo será o lançamento de um produto feito com 100% de materiais reciclados e vegan.

Wayz for life… quem faz este percurso, passo a passo, contigo?

A Wayz foi criada por mim e pelo Daniel Gonçalves e tem sido sobretudo uma viagem a dois, na qual fomos conhecendo e convidando parceiros para trabalhar, pontualmente ou de forma regular, connosco e fazer crescer o projeto. Desde logo os nossos parceiros no desenvolvimento do produto, fábricas, fornecedores de materiais, etc, mas também marketplaces e lojas, como a CRU, que nos ajudam a chegar aos clientes e divulgar a marca, ou outras comunidades, como a UPTEC, que foi fundamental no lançamento do projeto.

Nada se faz sozinho, acredito profundamente na colaboração e na interdependência. Costuma-se dizer, sozinhos vamos mais rápido mas juntos vamos mais longe!

Que diferenças encontras no universo do consumo sustentável na era pós-covid?

A pandemia quebrou o nosso crescimento enquanto marca. Quase não sabemos o que é ter uma marca em tempos normais porque a Wayz nasceu em final de 2019!

Na forma de trabalhar, adaptámo-nos, como todos. Adiámos alguns projetos e privilegiámos outros. Em relação aos nossos produtos, nada mudou. Aquilo em que acreditávamos antes, ainda faz mais sentido durante e no pós pandemia: um produto de grande qualidade, feito de forma ética e responsável, localmente, com um design intemporal, versátil, sem género e sazonalidade, vendido a um preço justo. São atributos relevantes que vão conquistar clientes portugueses e internacionais interessados em criar um mundo melhor, em que produzimos, consumimos e gerimos empresas de forma responsável e agregadora.

CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Cortesia Pedro Maçana / Wayz

Helena Antónia | Vintage for a Cause

By | CRU Spotlight

50% Buda e 50% Beyoncé… a maior força da Helena é, possivelmente, conhecer-se ao ponto de saber bem as suas competências mas também os seus limites, equilibrando a sua aspiração por acção e impacto positivo, com a natural necessidade de recolhimento e contemplação.

Conhecemos a Helena Antónia há já vários anos, desde que a sua marca, a Vintage for a Cause, passou a fazer parte da selecção de marcas sustentáveis da nossa loja, em xxx.

Sempre com uma energia positiva contagiante, a Helena conquistou-nos, não só pelo conceito da VFC muito alinhado com a nossa linha de actuação, mas também pela sua personalidade: sensível e sonhadora, pragmática e determinada.

Advogada por formação, a Helena mudou de rumo e advoga desde 2012 pelo upcycling e pela inclusão social através da Vintage for a Cause. Uma marca que é também uma causa, com a missão da redução do desperdício têxtil em paralelo com a capacitação e promoção do envelhecimento activo de mulheres acima dos 50 anos. 

As peças da VFC, habitualmente desenhadas por designers externos (como a Katty Xiomara, por exemplo) seguem um modelo slow fashion. A aposta no design intemporal contraria a lógica das colecções e a marca adopta um ciclo próprio, mais sustentável, baseada nos recursos, na procura, e na produção de pequenas quantidades e de peças exclusivas. Conceito que tem valido diversos apoios e prémios (CMP, EDP, Gulbenkian, Yves Rocher…)

As peças da Vintage For a Cause podem ser encontradas no seu site e nas lojas física e online da CRU, pois claro!

O que é que te levou a criar a Vintage For a Cause?

A VFC foi um acaso. Nasce como ideia em 2012 , porque fui fazer uma pós-graduação em Empreendedorismo e Inovação Social, sem grandes objetivos. A minha intenção era só divergir da minha atividade profissional da altura, advogada e técnica de sinistros numa seguradora.
Tive de apresentar uma ideia de negócio que respondesse a um ou mais problemas sociais ou ambientais. E penso que foi a minha experiência pessoal que condicionou a ideia que surgiu na altura: criar clubes de costura para tirar mulheres isoladas de casa onde elas transformariam roupa e materiais descartados em roupa urbana cool (peças que eu queria encontrar a preços competitivos) em co-criação com designers , de forma a ocuparem o seu tempo de forma criativa e estimulante, terem rendimento extra e voltar à vida ativa num registo mais adequado à sua fase de vida.

Tenho de admitir que na altura não olhei para a VFC como o meu possível emprego ou uma fonte de rendimento e que durante alguns anos não tive consciência clara da melhor classificação para a iniciativa. Era simplesmente algo novo que me permitia aplicar e desenvolver competências e estar em constante aprendizagem e em contacto com pessoas de setores diferentes.

És senhora ou escrava do teu tempo?

Imponho-me ser mais senhora do meu tempo, do que escrava dele. Mas é uma conquista on going e uma gestão desafiante. Fui conquistando isso por etapas, definindo rotinas de trabalho e de cuidados pessoais, intenções diárias, e aprendendo a dizer não com menos hesitação.
Tenho vindo a aprender com outras pessoas, sobretudo de culturas diferentes, o quão importante é “trabalhar bem” ou “work smart” em vez de trabalhar muitas horas ou “work hard”. Isso, aliado a uma maior honestidade em relação aos meus limites, foi fazendo toda a diferença nessa gestão.

Que livros mais te influenciaram na tua vida profissional?

Consumo desde sempre imensa literatura na área do desenvolvimento humano ( gosto particularmente de autores como Joe Dispenza ou Gregg Braden ou até Simon Sinek).
Por necessidade constante de aprofundar diferentes temas, leio bastante sobre moda sustentável e economia circular de variadíssimos autores e até investigadores. (E existem tantos autores incríveis. Eu gosto da Sandy Black e da Sass Brown, mas existem milhentos.)
Porém, diria que o livro do Daniel Christian Wahl “Design de culturas regenerativas” foi possivelmente o mais impactante, porque me fez compreender melhor o que seria na realidade a mais valia de iniciativas como a Vintage for a Cause dum ponto de vista sistémico.

Quem são os clientes da Vintage For a Cause e o que é que os faz escolher os teus produtos?

A Vintage for a Cause tem diferentes tipos de clientes, dadas as valências de intervenção (social, ambiental e económica). Ainda assim diria que o método é sempre o mesmo: criar redes e parcerias alinhadas que vamos trabalhando o mais possível e acabam por trazer maior força de comunicação.
Associamo-nos a mais marcas, projetos, em contextos segmentados.
Quer no mercado interno, quer no mercado externo, recorremos sempre presenças em plataformas ligadas a economia circular, inovação social e moda sustentável e comunicamos bastante sobre impacto.
No que respeita ao produto, quem escolhe a marca são clientes que compram duma forma mais informada e que gostam de se diferenciar nas tendências e na norma. Apreciam a forma como o produto foi feito, mas em primeiro lugar um design mais improvável a um preço competitivo.
A marca pretende também democratizar o acesso à moda sustentável.
Temos recentemente abordado a comunicação também sob o ponto de vista de PR e assessoria de imprensa com uma parceria com a C.Greener.

Atrás de uma grande mulher está sempre…quem?

Uma mega cama elástica composta por imensas pessoas, que compõem a equipa core, os voluntários, os múltiplos profissionais que representam os nossos clientes ou parceiros e uma quantidade de pessoas que me vai tocando de formas que nem têm consciência e que, independente da natureza da relação que possamos ter, são verdadeiros supporters.
E claro, a minha família, amigos e pessoas próximas que me apoiaram sempre incondicionalmente.

Que ‘camisolas’ vestes com entusiasmo?

Entusiasmam-me “camisolas” que funcionem para a mudança e para o bem comum. De forma realista, palpável, em equidade, e abrindo espaço para que mais pessoas possam juntar-se e desenvolver-se em conjunto.
Por isso, estou ligada a mais organizações como a Fashion Revolution Portugal, Circular Economy Club ou à Between Parallels e a grupos mais informais que gostem de fazer coisas giras e saudáveis.

Conta-nos qual foi a tua primeira crise enquanto empreendedora.

Nunca me levei nem levo muito a sério como empreendedora. E tenho crises amiúde, porque sinto que estou a trabalhar numa área que tem de ter KPI’s diferentes, mas para os executar tenho de usar os mesmos de qualquer negócio e dum sistema mais capitalista e competitivo onde é difícil encaixar.
E é um jogo complexo, que tem tanto de desafiante como de estimulante, dada a gestão multi-stakeholders que obriga.
E, por outro lado, conheço-me, e sei que o meu perfil serve parte das necessidades do jogo, mas não todas. Tenho consciência ainda que, em função da evolução da marca, poderá fazer sentido eu mudar o meu papel na mesma e partilhar a liderança.
Esta experiência permite acima de tudo um desenvolvimento e aquisição de competências e redes de apoio que me capacitam para fazer qualquer outra coisa e sinto-me muito confortável com a ideia de que a minha evolução profissional pode passar por abraçar outros projetos com que me identifique e a que o meu perfil possa servir.

Como vês o crescimento e a escala da Vintage For a Cause nos próximos anos?

O modelo de escala dum negócio com a cadeia de valor da VFC só pode ser equacionado numa lógica de replicação de framework que aproveite e redesenhe estruturas e a utilização de recursos já existentes, que possa ser liderado e implementado com alguma descentralização. Mais num formato de plataforma agregadora dos stakeholders. É a única forma de gerar mais impacto. De forma leve, quase numa lógica de certificação e facilitação de processos para uma modelos mais locais, inclusivos e responsáveis.

Quem é a Helena quando não está a trabalhar?

Nunca me levei nem levo muito a sério como empreendedora. E tenho crises amiúde, porque sinto que estou a trabalhar numa área que tem de ter KPI’s diferentes, mas para os executar tenho de usar os mesmos de qualquer negócio e dum sistema mais capitalista e competitivo onde é difícil encaixar.
E é um jogo complexo, que tem tanto de desafiante como de estimulante, dada a gestão multi-stakeholders que obriga.
E, por outro lado, conheço-me, e sei que o meu perfil serve parte das necessidades do jogo, mas não todas. Tenho consciência ainda que, em função da evolução da marca, poderá fazer sentido eu mudar o meu papel na mesma e partilhar a liderança.
Esta experiência permite acima de tudo um desenvolvimento e aquisição de competências e redes de apoio que me capacitam para fazer qualquer outra coisa e sinto-me muito confortável com a ideia de que a minha evolução profissional pode passar por abraçar outros projetos com que me identifique e a que o meu perfil possa servir.

Que dicas ou conselhos deixarias para alguém que está a começar na área do Empreendedorismo Social?

Fundamental: equipa, equipa e equipa. Testar e falhar bem e rápido, com pouco risco. Não ser perfecionista…
O resto diz respeito às soft skills (que deviam chamar-se strong skills), alguma sorte ou serendipidade.
E nesse campo, acho muito importante conhecermo-nos o mais possível, ter muita clareza em relação aos nossos termos pessoais de “sucesso” e estar super confortável com o falhar continuamente, porque isso vai ser a constante do processo que vai permitir aprendizagem e evolução do negócio, o que quer que isso venha a ser… Diria que 80% é compromisso e trabalho pessoal, boa equipa e boas relações e 20% ciência ou gestão.

O CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: cortesia da Helena Antónia Silva

Creative Mentorship for Creative Leaders and Entrepreneurs

By | Eventos

speakers

Nana Radenković & Dragana Jevtić

Date/ Time

9 October 2020 | 18 - 20h

Local

UPTEC Baixa (PINC)
Praça Coronel Pacheco, 2, Porto

Entrance

Free with Registration

DESCRIPTION

What is mentorship?
Is it for me?
What can I learn and gain from it?
If i become a mentee or a mentor, what impact will it have on my personal and professional development?
Should I find a mentor for myself?
And if yes – how?
These are just some of the questions we will discuss jointly with the audience, in an interactive presentation and Q&A session.
Within the Creative Hubs Network partnership, UPTEC welcomes CRU Cowork (Porto) and Nova Iskra Creative Hub (Belgrade, Serbia) currently engaged in the second round of Creative FLIP peer-to-peer exchange and mobility scheme for creative hubs from across the European continent and its neighborhood.
Within this exchange, guests from Belgrade, Nana Radenković, co-founder and program manager of Nova Iskra Creative Hub, and Dragana Jevtić, co-founder and director of Creative Mentorship organization which is one of the coworkers in Nova Iskra hub, will share their experiences and insights on benefits and values of mentorship for creatives, with the aim of the implementation of the new CRU Creative Mentorship, addressed to the creative class in Porto.
This program will focus on various topics around mentorship and its specific value for personal and professional development to the upcoming leaders in the field of culture, art and media.
We are very much looking forward to meeting all interested professionals and future professionals from the field of arts, culture and creative industries in Porto and sharing our knowledge, experience, passion and enthusiasm.
About Creative Mentorship
Creative mentorship was developed in Serbia 8 years ago as a bottom-up initiative, from the need which was recognized by initiators. Since then, through every new cycle and new generation of mentees and mentors, the program has been further developed and improved. Creative Mentorship promotes mentorship as a way of lifelong learning and exchange of knowledge and experience between established professionals, mentors and emerging professionals, mentees. So far, 5 cycles of the program were realized with more than 250 participants..Our network represents 250 ambassadors of the idea of mentorship, knowledge and experience sharing, and mutual support.
In addition to running the mentorship program in Serbia, the mission of Creative Mentorship is to spread the information about mentorship globally, about its value and impact, both on individuals and the society as a whole. As this organization started from the need, as a bottom up initiative, we know all the do’s and don’t of running a mentoring program, and are happy to share this knowledge to support organizations of creatives around Europe and wider to start their own mentoring programs in their countries.
http://kreativnomentorstvo.com/
About Nova Iskra
Nova Iskra Creative Hub gathers various initiatives, entrepreneurs and professionals from the field of creative industries. Nova Iskra We design spaces and experiences for people, organizations and businesses to work, learn, innovate and create together. We are taking an active role in shaping the ways in which, as a society, we will live, learn and work.
https://novaiskra.com/en/
About Creative FLIP
Finance, Learning, Innovation and Patenting is a Pilot project co-funded by the EUand lead by Goethe Institute, whose main objective is to support healthy and sustainable ecosystems for Cultural and Creative Industries (CCIs) with respect to these four key policy areas.
https://creativeflip.creativehubs.net/

SPEAKERS

Dragana Jevtić

Dragana Jevtić, founder and director of the Creative Mentorship has a great experience in understanding the specific needs of professionals within the creative sector and has devoted her time and focus to raise awareness on the value of mentorship and importance overall personal development within the creative community.

Nana Radenković

Nana Radenković is one of the co-founders of Nova Iskra Creative Hub, where she is focused on creating mentoring programs, trainings and workshops for individuals, organizations and companies interested in taking an active role in the processes of transformation – not only of their projects and businesses, but also through creation of new ways in which we could learn, live and work in the future.

Joana Estrela

By | Spotlight

Estrela is not a stage name. And Dorty Parker is practically a fluke.
Author and illustrator, born in 1990, in Penafiel, she studied communication design at the Faculty of Fine Arts of Porto, and an EVS project took her to live in Vilnius, Lithuania, for one year.
In 2016, the book Mana was published by Planeta Tangerina, after winning several national awards. Moment after which, he started to work more regularly with the same publisher, having followed many other opportunities. Propaganda, Mana, Here is a good place, Rainha do Norte and Menino, Menina are some of his published works.
He also works as a freelancer, designing and bringing to life the ideas of his clients. Nevertheless, it is when you dedicate time to your personal projects that you feel most fulfilled.
Always motivated by games and games that can relate to illustration and comics, Joana organizes several face-to-face and online workshops, for all ages, and is one of the facilitators of the Drink & Draw sessions, in Porto.

Estrela has been a coworker at CRU for 1 year now and, since then, several synergies and collaborations have flourished. Namely the illustration of ‘good coworking practices’ in the covid context – the #staysocialcoworksafe daily guide (initiative of the alliance of some coworks from Porto), our 2020 Christmas postcard for the community and friends, and an illustration that will appear on our new website.
Living with Joana makes us recognize her innate ability to be surprised and enchanted, in the small adventures of everyday life, which she creatively channels into her stories, apparently innocent, but dense with meaning.
Most of his self-edited works, books and zines can be found for sale at the CRU store or on his own website

What’s in common between Joana Estrela and Dorothy Parker?

Nothing! When I created my Instagram I was reading an anthology of it. And at the same time I discovered that “dorty” is a Scottish word that means arrogant, or proud. I found a joke and made an account under the name Dorty Parker. If at the time I knew that in a few years this instagram was going to be such a central part of what I do online (a kind of portfolio, blog and store, all in one) I would probably have chosen a better name.

How did you become an illustrator?

It was happening I’ve always loved drawing and storytelling. I started blogging, printing fanzines and in my spare time there was always a comic book project. After finishing the Communication Design course I was not able to find work in that area right away. So I started doing personal projects that had more to do with writing stories and drawing them, and I never stopped!

What books have influenced you the most in your professional life?

Maria Alberta Menéres has a book called “The Poet Does It at 10” that I read when I was 9 (so early) and I remember thinking it was revolutionary. It is full of poetry and writing exercises that she did in class (the author was a primary teacher) and, the most extraordinary part: it included examples of students’ poems, and they were very good! I think at the time I was excited about the idea that being a poet or writer was not a thing when I was big, that it could be now!

Concentration vs procrastination… what is your recipe for productivity?

I already know that if I have an entire afternoon to do something, it will take me an entire afternoon to do that thing. So, my only productivity recipe is to segment everything. When I start a task, I tell myself that I will have to finish (or at least pause) in 30 or 60 minutes.
Then, I try not to fight too much against myself, if for some reason I am distracting myself with a lot of work I try to understand what is going on (It’s like talking to the restless child inside me), sometimes the problem it’s just that I haven’t been outside yet and I need to walk for a while.

Tell us about your journey between your bed and your desk.

I never had a very good routine, but lately I wake up at 7:30 am, have breakfast and join Writers Hour (organized by London Writer’s Salon) at 8 am. EI write until 9 and only after that the day really starts. And then, depending on what I have to do, I either stay at home or go to CRU.
When I work outside the home I feel like I’m more out of it. But there are days when the goal is not to ship.

What technological crutches do you use to dominate or simplify your day-to-day life?

I use the Notes application for just about everything. Organize the week’s tasks, write, take notes. I usually write in notebooks, but then I pass the texts I like best to the Notes. I also have work ideas there, next to the shopping list and on top of articles I want to read. I have a note in the Notes, which are just the addresses of everyone I know. I have another note that is a conversation I overheard on the train. Anyway, if one day the Notes stop working, I don’t know who I am anymore.

© on the left: Tânia Santos | CRU

What principles govern you when you price your work or negotiate with a client?

First, it is deciding the minimum values ​​that I practice. That is, even if I negotiate a budget with a client, there is a minimum that I cannot get off, and sometimes it is better to be without work. Second, I try not to accept jobs that don’t interest me (which I think are dry, or so) and that are long-term.
Then there is a juggling between the time, the complexity of the proposal and what type of customer you are. When I have doubts, I ask. I ask the customer, if you have doubts about what he wants. I ask coworkers if you have questions about the budget. And I ask myself, “Do I really want to do this?”

What tribes do you belong to

Oh, I think none. Only if it is that of the illustrators! But I don’t know if we are a very organized tribe.

Who is Joana when she is not drawing?

It is strange to think about it now because I feel that with the pandemic my life away from work is like those notebooks of abstracts that you buy so that you can study Os Maias without having to read the whole book. The crucial thing is still there, but it is not quite the same.
The truth is that even when I’m not being an illustrator, I draw. And I write and read books. It is what I do in and out of working hours and sometimes the line that separates one thing from the other is very fine.

I think when I am not working I am playing. It is a strange thing to say as an adult, when we grow up “playing” it starts to have other connotations. But now that I think about it I think it is the right word. Because I like to invent games, to challenge myself to learn something, to draw without any purpose, to have fun, in short, to play.

What were the biggest lessons you learned in the last few years as a freelancer?

Perhaps this applies more to design and illustration than other areas, but before it was always waiting for customers. I thought that when I had clients, I was really going to be working. Now, I look back and see that it was my personal projects that took my career further and had more financial returns. But that is a lesson that I still have to constantly remind myself of.

CRU Spotlight is a rubric of short interviews with people from the CRU community, focusing on aspects of their professional life as independent in the Creative Industries sector.
Text:Tânia Santos Edition:Rossana Fonseca Photos: Joana Estrela’s instagram, except those credited and cover photo by Victor Bravo Lobo

Joana Estrela

By | CRU Spotlight

Estrela não é nome artístico. E Dorty Parker é praticamente um acaso.
Autora e ilustradora, nascida em 1990, em Penafiel, estudou design de comunicação na Faculdade de Belas Artes do Porto, e um projecto de EVS levou-a a viver em Vilnius na Lituânia, durante um ano.
Em 2016, o livro Mana foi publicado pelo Planeta Tangerina, após ter ganhado diversos prémios nacionais. Momento, a partir do qual, começou a trabalhar mais regularmente com a mesma editora, tendo-se seguido muitas outras oportunidades. Propaganda, Mana, Aqui é um bom lugar, Rainha do Norte e Menino, Menina são algumas das suas obras publicadas.
Trabalha, ainda, como freelancer, desenhando e dando vida às ideias dos seus clientes. Não obstante, é quando dedica tempo aos seus projectos pessoais que mais realizada se sente.
Sempre motivada por jogos e brincadeiras que se possam relacionar com a ilustração e a banda desenhada, Joana organiza vários workshops presenciais e online, para todas as idades, e é uma das facilitadoras das sessões do Drink & Draw, no Porto.

A Estrela é coworker na CRU faz, agora, 1 ano e, desde então, várias sinergias e colaborações têm florescido. Nomeadamente a ilustração das ‘boas práticas de coworking’ no contexto covid — o #staysocialcoworksafe daily guide (iniciativa da aliança de alguns coworks do Porto), o nosso postal de Natal de 2020 para a comunidade e amigos e, ainda, uma ilustração que figurará no nosso novo website.
Conviver com a Joana faz-nos reconhecer a sua inata capacidade de se surpreender e encantar, nas pequenas peripécias do dia-a-dia, que criativamente canaliza para as suas estórias, aparentemente inocentes, porém, densas de sentido.
A maioria dos seus trabalhos, livros e zines auto-editados podem ser encontrados à venda na loja da CRU ou no seu próprio site

O que há em comum entre a Joana Estrela e a Dorothy Parker?

Nada! Quando criei o meu instagram estava a ler uma antologia dela. E pela mesma altura descobri que “dorty” é uma palavra escocesa que quer dizer arrogante, ou orgulhosa. Achei piada e fiz uma conta com o nome Dorty Parker. Se na altura soubesse que daí a uns anos esse instagram ia ser uma parte tão central do que eu faço online (uma espécie de portfólio, blog e loja, tudo em um) provavelmente tinha escolhido um nome melhor.

Como vieste a tornar-te ilustradora?

Foi acontecendo. Sempre gostei muito de desenhar e contar histórias. Ia tendo blogs, imprimia fanzines e nos tempos livres havia sempre algum projecto de banda desenhada. Depois de acabar o curso de Design de Comunicação não consegui logo arranjar trabalho nessa área. Então fui fazendo projetos pessoais que tinham mais a ver com escrever histórias e desenhá-las, e nunca mais parei!

Que livros mais te influenciaram na tua vida profissional?

A Maria Alberta Menéres tem um livro que se chama “O Poeta Faz-se aos 10 Anos” que li quando tinha 9 anos (tão precoce) e lembro-me de o achar revolucionário. É cheio de exercícios de poesia e de escrita que ela fazia nas aulas (a autora era professora primária) e, a parte mais extraordinária: incluía exemplos de poemas dos alunos, e eram muito bons! Acho que na altura me entusiasmou a ideia que ser poeta ou escritora não era uma coisa de quando eu fosse grande, que podia ser já!

Concentração vs procrastinação… qual é a tua receita para a produtividade?

Já sei que se tiver uma tarde inteira para fazer uma coisa vou demorar uma tarde inteira a fazer essa coisa. Por isso, a minha única receita de produtividade é segmentar tudo. Quando começo uma tarefa digo a mim própria que vou ter de acabar (ou no mínimo pausar) daqui a 30 ou 60 minutos.
Depois, tento não lutar muito contra mim própria, se por alguma razão me estou a distrair imenso com um trabalho tento perceber o que se está a passar (É como se falasse com a criança irrequieta que está dentro de mim), às vezes o problema é só que ainda não fui lá fora e preciso de andar um bocado.

Fala-nos da tua viagem entre a tua cama e a tua secretária.

Nunca tive uma rotina muito certa, mas ultimamente acordo pelas 7:30, tomo o pequeno almoço e junto-me à Writers Hour (organizado pela London Writer’s Salon) das 8 da manhã. Escrevo até às 9 e só depois é que o dia começa mesmo. E aí, dependendo do que tenho para fazer, ou fico em casa ou vou para a CRU.
Quando trabalho fora de casa sinto que sou mais despachada. Mas há dias em que o objectivo não é despachar.

Que muletas tecnológicas usas para dominar ou simplificar o teu dia-a-dia?

Uso a aplicação das Notas para praticamente tudo. Organizar as tarefas da semana, escrever, tirar apontamentos. Normalmente escrevo em cadernos, mas depois passo os textos que gosto mais para as Notas. Também tenho lá as ideias para trabalhos, ao pé da lista de compras e por cima de artigos que quero ler. Tenho uma nota, nas Notas, que são só as moradas de toda a gente que conheço. Tenho outra nota que é uma conversa que ouvi no comboio. Enfim, se um dia as Notas deixarem de funcionar já não sei quem sou.

©  à esquerda: Tânia Santos | CRU

Que princípios te regem quando atribuis um preço ao teu trabalho ou negoceias com um cliente?

Primeiro, é decidir os valores mínimos que pratico. Ou seja, mesmo que negoceie um orçamento com um cliente há um mínimo do qual não posso descer, e às vezes mais vale ficar sem o trabalho. Segundo, tento não aceitar trabalhos que não me interessam (que acho seca, ou assim) e que são de longo prazo.
Depois é um malabarismo entre o tempo, a complexidade da proposta e que tipo de cliente que é. Quando tenho dúvidas, pergunto. Pergunto ao cliente, se tiver dúvidas sobre o que ele quer. Pergunto aos colegas de trabalho, se tiver dúvidas sobre o orçamento. E pergunto a mim própria: “Quero mesmo fazer isto?”.

A que tribos pertences?

Ai, acho que nenhuma. Só se for a dos ilustradores! Mas não sei se somos uma tribo muito organizada.

Quem é a Joana quando não está a desenhar?

É estranho pensar nisto agora porque sinto que com a pandemia a minha vida fora do trabalho é tipo aqueles cadernos de resumos que compras para poderes estudar Os Maias sem teres de ler o livro todo. O crucial continua lá, mas não é bem a mesma coisa.
A verdade é que mesmo quando não estou a ser ilustradora, eu desenho. E escrevo e leio livros. É o que eu faço dentro e fora das horas de trabalho e às vezes a linha que separa uma coisa da outra é muito ténue.

Acho que quando não estou a trabalhar estou a brincar. É uma coisa meio estranha para dizer como adulta, quando crescemos “brincar” começa a ter outras conotações. Mas agora que penso nisso acho que é a palavra certa. Porque gosto de inventar jogos, de me desafiar a aprender alguma coisa, de desenhar sem propósito nenhum, de me divertir, enfim, de brincar.

Quais foram as maiores lições que aprendeste, nestes últimos anos enquanto freelancer?

Se calhar isto aplica-se mais a design e ilustração que outras áreas, mas antes estava sempre à espera de clientes. Achava que quando tivesse clientes é que ia realmente estar a trabalhar. Agora, olho para trás e vejo que foram os meus projectos pessoais que levaram a minha carreira mais longe e tiveram mais retorno financeiro. Mas isso é uma lição que ainda tenho de relembrar a mim própria constantemente.

O CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: instagram da Joana Estrela, excepto as creditadas e fotografia de capa por Victor Bravo Lobo

Pierre Zago

By | CRU Spotlight

Multimilionário nas visualizações do youtube, Pierre Zago leva às lágrimas até o mais sério dos espectadores com as suas caricatas reportagens e ‘zapanhados’. 

Do outro lado da lente, sabemos que Pierre é, sobretudo, uma pessoa curiosa, sensível e determinada, cuja criatividade e humor estão espelhados no seu olhar, sempre vivaço e sincero.

Conhecemos o Pierre quando visitou a CRU, enquanto potencial interessado no nosso espaço de cowork. É escusado dizer que, quando se tornou um dos nossos cru-workers, os seus vídeos rapidamente se tornaram tema de conversa e revisita.

Desde então, fomos sabendo mais sobre o seu processo criativo, que passa por anotar, manual e detalhadamente em cadernos, as inúmeras ideias que se acumulam muito mais velozmente que a sua capacidade para lhes dar vida. 

Num dos nossos eventos ‘CRU Sobre a Mesa’, em Outubro de 2019, contou-nos ainda mais sobre as suas origens e o seu percurso.

Pierre tem 33 anos, é luso-francês, nascido em Lisboa, viveu em Paris e, depois, em Braga. Veio para o Porto estudar, tendo passado pelas Belas Artes, mas foi no Politécnico do Porto que se inclinou para o Audiovisual, tendo sido essa formação académica que lhe incutiu o gosto pela fotografia e pelo cinema. 

Começou por fazer curtas-metragens, depois pequenas entrevistas de rua, acabando por encontrar no formato do ‘apanhado’ o seu registo predilecto.

Diz-nos como começou o teu canal de youtube

Surgiu da minha vontade de fazer filmes de forma independente. Antes de lançar o meu canal Youtube, realizei algumas curtas-metragens e ponderei dar continuidade a esse percurso, mas rapidamente percebi que toda a logística do cinema não era para mim pois dependes de imensas pessoas, equipamentos, financiamentos, etc. Da ideia de um filme até à sua concretização é todo um processo super longo e eu tinha vontade de concretizar as minhas ideias num espírito “do it yourself”, sem depender da aprovação de um senhor X ou Y. E quando descobri que era possível viver através do youtube, criando os meus próprios conteúdos, fez-se “plim”! Agora lembrei-me daquela: pim po ne ta pitá pitá pituxa plim!

Trabalho e conhaque…como doseias o teu cocktail?

Tendo o privilégio de ter um agente que gere a minha carreira, uma secretária que trata das papeladas e uma equipa criativa que faz tudo o resto, é muito fácil… Hmm ok ok, para responder mais seriamente: acho que até sou um tipo bastante organizado. Gosto de planear bem o meu trabalho e projectar as coisas no futuro.

De onde vem a tua inspiração para criares os teus vídeos?

Não é do conhaque que não sou grande fã dessa bebida. Descobri recentemente umas vodcas polacas deliciosas: chamam-se Soplica. São umas vodcas licorosas com vários sabores. Há de avelã, de figo, de mirtilo, etc. Encontram-se numa lojinha de produtos eslavos em frente ao Bingo na Trindade. De resto, é só estar atento, tudo pode servir de inspiração.

E a ti, quem te faz rir?

Sei lá, tanta coisa… acho que tudo pode ser cómico se optarmos por essa perspectiva. Estou agora a ver a senhora do correio a passar lá em baixo na rua, muito pequenininha e magrinha, ela faz-me rir com o seu passo super apressado e curto e o seu boné que é demasiado largo para a sua cabecinha de formiguinha trabalhadora.

Que formas encontras de fazer chegar o teu trabalho aos ecrãs dos teus seguidores?

A minha forma de promover o meu trabalho é única e exclusivamente através do conteúdo em si. Se o conteúdo for bom e fresco, as pessoas vão querer vê-lo e partilhá-lo naturalmente. Nunca pensei em estratégias de marketing nem nunca paguei 1 cêntimo para publicitar o meu trabalho. Ou será que sou um grande forreta…?

Proteges a tua criatividade?

Catch me if you can.

Como descreverias a tua equipa de sonho?

A minha equipa de sonho seria alinhada num 4x3x3 com pressing ofensivo. 4 cameramans, 3 editores de vídeo e 3 actores adjuvantes.

Como é que o freelancing te tem tratado até agora?

Muito bem. Ser o meu próprio patrão e dono do meu tempo… não troco isto por nada! Uma vez ultrapassado o cabo das tormentas da precariedade e da massa com atum, vale a pena!

Uma vida na escola ou a escola da vida?

Há um ditado francês que diz “C’est en forgeant que l’on devient forgeron”, traduzindo: É forjando o ferro que nos tornamos ferreiros.
Também gosto muito daquele “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Mas neste caso não se aplica lá muito, lembrei-me só.

Tens algum motto ou mantra que recordas em períodos mais desafiantes?

A vida para mim vive-se um dia de cada vez. Aliás… dois! Dois dias de cada vez: um para o deboche, o outro para a ressaca.

O CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Pierre Zago

Pierre Zago

By | Spotlight

Multimilionário nas visualizações do youtube, Pierre Zago leva às lágrimas até o mais sério dos espectadores com as suas caricatas reportagens e ‘zapanhados’. 

Do outro lado da lente, sabemos que Pierre é, sobretudo, uma pessoa curiosa, sensível e determinada, cuja criatividade e humor estão espelhados no seu olhar, sempre vivaço e sincero.

Conhecemos o Pierre quando visitou a CRU, enquanto potencial interessado no nosso espaço de cowork. É escusado dizer que, quando se tornou um dos nossos cru-workers, os seus vídeos rapidamente se tornaram tema de conversa e revisita.

Desde então, fomos sabendo mais sobre o seu processo criativo, que passa por anotar, manual e detalhadamente em cadernos, as inúmeras ideias que se acumulam muito mais velozmente que a sua capacidade para lhes dar vida. 

Num dos nossos eventos ‘CRU Sobre a Mesa’, em Outubro de 2019, contou-nos ainda mais sobre as suas origens e o seu percurso.

Pierre tem 33 anos, é luso-francês, nascido em Lisboa, viveu em Paris e, depois, em Braga. Veio para o Porto estudar, tendo passado pelas Belas Artes, mas foi no Politécnico do Porto que se inclinou para o Audiovisual, tendo sido essa formação académica que lhe incutiu o gosto pela fotografia e pelo cinema. 

Começou por fazer curtas-metragens, depois pequenas entrevistas de rua, acabando por encontrar no formato do ‘apanhado’ o seu registo predilecto.

Diz-nos como começou o teu canal de youtube

Surgiu da minha vontade de fazer filmes de forma independente. Antes de lançar o meu canal Youtube, realizei algumas curtas-metragens e ponderei dar continuidade a esse percurso, mas rapidamente percebi que toda a logística do cinema não era para mim pois dependes de imensas pessoas, equipamentos, financiamentos, etc. Da ideia de um filme até à sua concretização é todo um processo super longo e eu tinha vontade de concretizar as minhas ideias num espírito “do it yourself”, sem depender da aprovação de um senhor X ou Y. E quando descobri que era possível viver através do youtube, criando os meus próprios conteúdos, fez-se “plim”! Agora lembrei-me daquela: pim po ne ta pitá pitá pituxa plim!

Trabalho e conhaque…como doseias o teu cocktail?

Tendo o privilégio de ter um agente que gere a minha carreira, uma secretária que trata das papeladas e uma equipa criativa que faz tudo o resto, é muito fácil… Hmm ok ok, para responder mais seriamente: acho que até sou um tipo bastante organizado. Gosto de planear bem o meu trabalho e projectar as coisas no futuro.

De onde vem a tua inspiração para criares os teus vídeos?

Não é do conhaque que não sou grande fã dessa bebida. Descobri recentemente umas vodcas polacas deliciosas: chamam-se Soplica. São umas vodcas licorosas com vários sabores. Há de avelã, de figo, de mirtilo, etc. Encontram-se numa lojinha de produtos eslavos em frente ao Bingo na Trindade. De resto, é só estar atento, tudo pode servir de inspiração.

E a ti, quem te faz rir?

Sei lá, tanta coisa… acho que tudo pode ser cómico se optarmos por essa perspectiva. Estou agora a ver a senhora do correio a passar lá em baixo na rua, muito pequenininha e magrinha, ela faz-me rir com o seu passo super apressado e curto e o seu boné que é demasiado largo para a sua cabecinha de formiguinha trabalhadora.

Que formas encontras de fazer chegar o teu trabalho aos ecrãs dos teus seguidores?

A minha forma de promover o meu trabalho é única e exclusivamente através do conteúdo em si. Se o conteúdo for bom e fresco, as pessoas vão querer vê-lo e partilhá-lo naturalmente. Nunca pensei em estratégias de marketing nem nunca paguei 1 cêntimo para publicitar o meu trabalho. Ou será que sou um grande forreta…?

Proteges a tua criatividade?

Catch me if you can.

Como descreverias a tua equipa de sonho?

A minha equipa de sonho seria alinhada num 4x3x3 com pressing ofensivo. 4 cameramans, 3 editores de vídeo e 3 actores adjuvantes.

Como é que o freelancing te tem tratado até agora?

Muito bem. Ser o meu próprio patrão e dono do meu tempo… não troco isto por nada! Uma vez ultrapassado o cabo das tormentas da precariedade e da massa com atum, vale a pena!

Uma vida na escola ou a escola da vida?

Há um ditado francês que diz “C’est en forgeant que l’on devient forgeron”, traduzindo: É forjando o ferro que nos tornamos ferreiros.
Também gosto muito daquele “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Mas neste caso não se aplica lá muito, lembrei-me só.

Tens algum motto ou mantra que recordas em períodos mais desafiantes?

A vida para mim vive-se um dia de cada vez. Aliás… dois! Dois dias de cada vez: um para o deboche, o outro para a ressaca.

O CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Pierre Zago

Simultaneous inaugurations at CRU: BLACK BOX, by Itay Peleg

By | Exposure, Simultaneous inaugurations | One Comment

Artist

Itay Peleg

Date/Time

9 March 2019 | 16h-20h

Local

CRU Cowork

Entry

Free

Description

“When I decided to face the world with my eyes and my heart open, strange and surreal situations of the mundane were returned to me.

Black Box constitutes a body of visual work, through which Itay Peleg intends to challenge the one who looks, through the medium of photography, to keep his eyes wide open to the puzzles hidden from day to day. Capturing marginal details, reflections, mirrored silhouettes, between light and shadow, seeks to perceive in the surrounding space signs of the unusual, beyond the common.

A black box can be defined as part of a complex system that produces a discernied output according to the input received, but whose internal mechanism or program is a mystery to the user. Nowadays, people often use black boxes without repairing and, at the same time, become black boxes themselves when their decisions, especially as consumers (of images), appear to be encrypted in society.

«Black Box is about expanding people’s vision to the limitless options our everyday life can offer, just for the attention. How can you know what you’re capable of if you don’t dive into the unknown? “

Saturday, March 9th, between 16h and 20h, CRU will be open doors to receive customers, friends and other visitors, receiving them with a smile, a glass of Vinha d’avó and sweets of the confectionery Nandinha.

This is an initiative of CRU Cowork through the Thinking Spoon Association
With the curatorship of Rossana Mendes Fonseca.

Artist

ITAY PELEG

Photographer

Inaugurações Simultâneas na CRU: BLACK BOX, de Itay Peleg

By | Exposição, Inaugurações Simultâneas | 16 Comments

artista

Itay Peleg

Data / Hora

9 Março 2019 | 16h - 20h

Local

CRU Cowork

Entrada

Gratuita

DESCRIÇÃO

«Quando resolvi enfrentar o mundo com os olhos e o coração aberto, foram-me devolvidas situações estranhas e surreais do mundano.

Black Box constitui um corpo de trabalho visual, através do qual Itay Peleg pretende desafiar aquele que olha, através do médium da fotografia, a manter os olhos bem abertos para os enigmas escondidos do dia-a-dia. Capturando detalhes marginais, reflexos, silhuetas espelhadas, entre luz e sombra, procura percepcionar no espaço envolvente signos do invulgar, para além do comum.

Uma caixa negra pode ser definida como a parte de um sistema complexo que produz um output discernível de acordo com o input recebido, mas cujo mecanismo ou programa interno é um mistério para o utilizador. Hoje em dia, as pessoas usam comummente caixas negras sem repararem e, ao mesmo tempo, tornam-se elas próprias caixas negras quando as suas decisões, especialmente enquanto consumidores (de imagens), parecem estar encriptadas na sociedade.

«Black Box é sobre expandir a visão das pessoas para as opções ilimitadas que o nosso quotidiano pode oferecer, apenas pela atenção. Como é que se pode saber do que se é capaz, se não se mergulhar no desconhecido»?

Sábado, dia 9 de Março, entre as 16h e as 20h, a CRU estará de portas abertas para receber clientes, amigos e demais visitantes, recebendo-os com um sorriso, um copo de Vinha D’Avó e doces da Confeitaria Nandinha.

Esta é uma iniciativa da CRU Cowork através da Thinking Spoon Associação
com a Curadoria da Rossana Mendes Fonseca.

ITAY PELEG
Fotógrafo